União Européia decide 'vigiar' governo austríaco
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quarta-feira, 13 de setembro de 2000
France Presse De Bruxelas 
Os países da União Européia (UE) suspenderam as sanções contra a Áustria, advertindo que vigiarão de perto o partido de extrema-direita FPOe de Joerg Haider e outros possíveis focos xenófobos na UE.
Depois de quase oito meses submetida a sanções bilaterais por parte de seus sócios, a Áustria está livre desde ontem, mas será submetida a uma vigilância particular.
A natureza do FPOe e sua evolução incerta continuam sendo motivo de séria preocupação. Os 14 consideram que deve ser exercida uma vigilância particular sobre este partido, assinala o comunicado.
O informe que os três sábios europeus entregaram no final de semana passada a Jacques Chirac, presidente francês e em exercício da UE, recomendava a suspensão das sanções e a criação de um mecanismo na UE para supervisionar e avaliar individualmente o compromisso e o comportamento de cada membro.
O presidente da Comissão Européia, Romano Prodi, expressou sua satisfação pela suspensão das sanções e pediu também que os extremismos sejam vigiados de perto.
Mas nem os 14, nem a Comissão explicaram como irão vigiar a Áustria e o certo é que o atual Tratado da UE não apresenta mecanismos para tal. Por isso, nos atuais trabalhos de reforma do Tratado, que devem ser concluídos em dezembro, estuda-se a introdução de um mecanismo suplementar, apesar de no momento não existir nada formal, segundo um porta-voz.
No entanto, uma modificação do tratado requer uma unanimidade que não está nada clara, já que tanto a Áustria quanto o Reino Unido e os países escandinavos mostram reservas ou apresentam mecanismos por demais complicados.
A comissão observará as evoluções na Áustria e nos 14 países da UE para assegurar que o direito comunitário e os valores que derivam dele sejam respeitados plenamente, segundo um porta-voz, mas falta saber como isso será garantido, já que as sanções parecem não ter surtido efeito.
De fato, o partido de Haider continua sendo o mesmo e não mudou de natureza, como pediram os 14 sócios durante estes meses.
Além disso, se não fossem suspensas as sanções, a reforma das instituições corria o risco de ser bloqueada pela Áustria.
No resto da Europa, partidos como a Liga Norte italiana, o de extrema-direita belga flamenco e as organizações extremistas na Dinamarca, entre outros, seriam objeto desta vigilância que a União Européia quer colocar em andamento.


