União Européia condena ação russa na Chechênia
Associated Press
De Moscou
Os ministros de Relações Exteriores dos países da União Européia (UE), reunidos em Bruxelas, condenaram ontem o uso desproporcional e indiscriminado da força pela Rússia na república separatista da Chechênia. Os diplomatas acentuaram que a ação militar tem causado duras provações para os civis e enorme deslocamento de população.
O comunicado dos chanceleres conclamou Moscou a cumprir seus compromissos com a legislação humanitária internacional, de modo a evitar vítimas entre os civis. A UE não discutiu a possibilidade de impor sanções à Rússia e reiterou seu respeito à integridade territorial do país.
Já o presidente da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), o norueguês Knut Vollebaek, pediu ontem que a Rússia fixe um prazo-limite para retirar suas tropas da Chechênia e concorde em iniciar conversações sobre a crise no Cáucaso.
Sob pressão da UE e de vários países para mudar sua política para a Chechênia, o presidente Boris Yeltsin confirmou ontem que irá à reunião de cúpula da OSCE, amanhã e sexta-feira, em Istambul, na Turquia. Segundo a agência russa Interfax, Yeltsin faz questão de ir a Istambul dizer para os países ocidentais que eles não têm direito de acusar a Rússia por destruir bandidos e terroristas em seu território.
Anteontem, Yeltsin elogiou o primeiro-ministro Vladimir Putin pela operação na Chechênia e reiterou que ele é seu candidato às eleições presidenciais, marcadas para 4 de junho.
A questão chechena será certamente um dos principais temas da cúpula da OSCE, por isso o governo russo tem procurado antecipar-se às críticas, enfatizando que considera o conflito o qual denomina de luta contra o terrorismo internacional um assunto doméstico.
O presidente norte-americano Bill Clinton também estará presente na cúpula da OSCE, mas analistas políticos em Washington não esperam que ele tome uma atitude ofensiva em relação à crise no norte do Cáucaso.
Segundo o jornal The New York Times, os Estados Unidos estão tentando encontrar um ponto de equilíbrio entre sua preocupação com o controle de armas e a proliferação nuclear e a questão dos direitos humanos. Clinton teme que a ingerência na questão chechena esfrie ainda mais as relações entre os dois países.
O governo federal enviou tropas à Chechênia no início de outubro, depois de ter rechaçado para o território checheno rebeldes islâmicos que haviam invadido a vizinha república russa do Daguestão, em agosto e setembro. Na mesma época, a Rússia foi alvo de vários atentados atribuídos aos rebeles que causaram a morte de cerca de 300 pessoas.
Desde que as forças federais ingressaram na Chechênia, mais de 200 mil pessoas fugiram para a república russa da Ingushétia. A dramática situação dos refugiados agravou-se nas últimas semanas por causa da intensificação do inverno e da escassez de roupas e alimentos, o que fez com que aumentassem os apelos da comunidade internacional para uma solução pacífica do conflito.





