União Européia autoriza negociação com a Turquia
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sexta-feira, 17 de dezembro de 2004
Folhapress 
São Paulo - Os 25 governantes da União Européia que estavam reunidos ontem à noite, em Bruxelas, deram autorização para abertura de negociações que permitem a adesão da Turquia ao bloco. A reunião de cúpula prosseguirá até hoje. Persistiam dúvidas sobre se Ancara aceitaria as novas condições impostas pela UE.
A principal delas é o reconhecimento de Chipre, iniciativa que, segundo o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, poderá ser adotada, mas ''desde que não machuque os interesses nacionais'' de seu país. A posição turca é, no entanto, ambígua.
O ministro das Relações Exteriores, Abdullah Gul, deu declaração menos conciliadora. ''Um reconhecimento direto ou indireto de Chipre está fora de questão'', disse Gul. Mas, segundo analistas, a questão não deverá impedir o início das negociações.
A adesão de um país populoso e com forte maioria muçulmana divide os governantes e a opinião pública na Europa. O presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso, disse que ''metas significativas'' deverão ainda ser alcançadas por Ancara. A Turquia ''deve andar uma milha suplementar para dar claros sinais de seu futuro europeu'', disse Barroso. Além de Chipre, o país deve provar sua inflexibilidade quanto aos direitos humanos.
Quanto aos direitos humanos, a UE faz questão que a Turquia adote ''tolerância zero'' com relação à tortura em dependências policiais. Nesse capítulo também entra a questão política gerada pela minoria do Curdistão. Zubeyir Aydar, líder do PKK, partido da oposição curda considerado terrorista pela União Européia, disse em entrevista a jornal búlgaro que ''a Turquia não garante os direitos políticos, culturais e sociais de sua própria população''.


