União das esquerdas não supera vantagem de Aznar Associated Press De Madri A campanha política para as eleições gerais na Espanha chegou ao fim ontem, despontando o Partido Popular (PP), do primeiro-ministro José María Aznar, como o mais provável vencedor. Isso apesar de o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) ter-se unido, pela primeira vez mediante um pacto eleitoral e de governo, à Esquerda Unida (IU) – partido que abriga os antigos comunistas espanhóis. O acordo não foi suficiente para recuperar o atraso dos socialistas em relação ao partido de centro direita de Aznar, que lidera as pesquisas de opinião com uma vantagem de quatro pontos percentuais. Ontem, o PSOE e a IU não conseguiram promover um comício comum no encerramento da campanha. Os dois principais dirigentes, Joaquín Almunia, pelos socialistas, e Francisco Frutos, pelos comunistas, participaram de um encontro com a imprensa para fazer declarações de unidade. E também sobre a irreversibilidade do acordo que, segundo eles, não se limita à campanha eleitoral. Vale, sobretudo, para a constituição do futuro governo em caso de vitória com um gabinete integrado de representantes das duas correntes. Segundo Frutos, o pacto firmado pelos dois partidos é muito importante e ‘‘serve para ganhar e governar’’. Ele preconizou a mobilização de toda a esquerda espanhola, da mais moderada à mais radical, lembrando que os partidários dos grupos conservadores já estão mobilizados. À noite os dois partidos realizaram comícios em separado. Por sua vez, o primeiro-ministro Aznar fez comícios em Valladolid e Madri, reafirmando as teses de seus pronunciamentos anteriores. Pediu a confiança da população para continuar sua política – cujo principal objetivo agora é obter o pleno emprego. A partir de hoje, um esquema de segurança especial estará vigorando em Madri e no País Basco, principalmente em cidades como Bilbao, San Sebastián e Vitória. Cerca de 9 mil policiais foram mobilizados na capital e outros 5 mil no País Basco para evitar ataques da organização extremista Pátria Basca e Liberdade (ETA), que rompeu uma trégua unilateral de 14 meses e retomou uma campanha de violência.