O diretor-geral da Unesco, Koichiro Matsuura, fez ontem um apelo para que haja uma ‘‘mobilização internacional para salvar Galápagos da mancha negra que ameaça a flora e a fauna únicas’’ do arquipélago.
‘‘As Galápagos são um santuário natural e único, albergam animais e plantas que não se encontram em nenhuma outra parte de nosso planeta’’, o que lhes valeu a inscrição em 1978 na relação do Patrimônio Mundial da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), segundo Matsuura.
O geógrafo francês Christophe Grenier, encarregado de uma missão para um instituto francês no arquipélago de Galápagos, criticou severamente ontem as autoridades equatorianas, as quais acusou de manter ‘‘uma dupla linguagem’’. Catedrático da Universidade de Nantes (oeste da França), Grenier escreveu um livro intitulado ‘‘Conservação contra a natureza: as Ilhas Galápagos’’.
As 10 mil tartarugas gigantes das ilhas Galápagos, tesouro mundial da fauna marinha, estão à mercê da mancha negra de 600 toneladas de combustível que flutuam no arquipélago do Pacífico, a 1.000 quilômetros a oeste do Equador.
As fortes ondas de domingo contribuíram para aumentar as fissuras na nave, encarregada de transportar quase 800 toneladas de combustível do porto de Guayaquil (275 km a sudoeste de Quito) para abastecer o arquipélago de 7.964 km2.
Nenhuma das 10.000 ‘‘galápagos’’, nome das tartarugas gigantes presentes na maior parte das ilhas do arquipélago, foi afetada até o momento.
Nessa jóia da criação convivem em harmonia 60.000 leões marinhos, 50.000 lobos marinhos, miríades de iguanas do mar e terrestres com formas antediluvianas, assim como bandos de albatroz.
Em Quito, o governo equatoriano abriu uma investigação para determinar quem ou qual organismo autorizou o navio ‘‘Jessica’’ a transportar combustível para as ilhas Galápagos, onde encalhou terça-feira.
O vice-almirante Fernando Donoso, comandante da Marinha, disse em entrevista à Rádio Quito que a investigação ‘‘já começou’’. Segundo ele vai ser averiguado se o navio – de bandeira equatoriana e construído em 1973 – tinha licença para levar combustível para uma região tão importante quanto as ilhas Galápagos.

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