Doha, Catar - Executivos engravatados do mundo todo misturando-se a mulheres com o corpo inteiro coberto. Costumes primitivos em gente milionária. Construções antigas tendo como pano de fundo um emaranhado de prédios futuristas. O choque cultural é o que dá o tom em um dos países que mais cresce, o Catar.
Pequeno país árabe encravado em uma península do Golfo Pérsico, o Catar conta com os bilhões de dólares do petróleo para alavancar seu crescimento e, muitas vezes, comprar seu espaço mundo afora. Com a recepção de grandes eventos, sejam políticos, esportivos ou sociais, o país despeja seus petrodólares para se tornar conhecido pelo mundo.
Doha, sua capital, é praticamente todo o Catar. O emirado possui cerca de 11,5 mil quilômetros quadrados de área, o equivalente à metade do tamanho de Sergipe. Segundo estatísticas oficiais de dezembro de 2008, o Catar possui cerca de 1,5 milhão de habitantes: 80% residem em Doha. Desse total, menos de 300 mil são nativos. Os indianos são quase 50% da população, que ainda conta com gente do Sri Lanka, das Filipinas, do Nepal, além de europeus, norte-americanos e, é claro, brasileiros. Apesar da língua oficial ser o árabe, o inglês é falado por todos.
O país é altamente dependente da indústria do petróleo e gás natural e da mão de obra estrangeira. Os forasteiros estão espalhados por todos os níveis hierárquicos, de operários a grandes executivos. Os estrangeiros compõem quase 95% da força de trabalho do país, segundo o governo local, que quer diversificar a economia e fortalecer o setor privado.
Para isso, a estratégia não envolve somente a área econômica. O Catar quer avançar em áreas como cultura, comunicação, esportes, turismo e, consequentemente, transporte aéreo. A rede de TV Al Jazeera e a companhia aérea Qatar Airways, são bons exemplos. A empresa de aviação é a responsável por encurtar a distância até a América do Sul. A companhia tem desde junho vôos diretos para São Paulo, seu 91º destino. Na cultura, outro grande feito. Foi criada a Cultural Village, empreendimento dirigido por um brasileiro. Márcio Barbosa, ex-diretor-geral adjunto da Unesco, comanda um projeto que tem como objetivo transformar Doha em um polo cultural.
Costumes
Doha está tão distante do Brasil geograficamente quanto em termos de cultura. Com 95% da população composta por muçulmanos, os rituais e as vestes não poderiam seguir outra linha. Os homens locais usam uma túnica branca - chamada de dishdash -, um turbante na cabeça - o kafia - e chinelo. Já as mulheres têm um regime mais rígido. Elas usam túnica preta - chamada abaya -, com lenço que pode cobrir só o cabelo - o hijab -, no caso das solteiras. Outros tipos de véus mais fechados são o khimar e o chador. Já o niqab cobre todo cabelo, pescoço e rosto deixando só uma fresta nos olhos. Muitas vezes é acompanhado de abaya e luvas. A burqa é a mais extrema, pois é totalmente fechada, apenas com uma tela por onde passa o ar. Isso com uma temperatura média de 50ºC.
Como há muitos estrangeiros, as roupas ocidentais são muito usadas, mas sem ultrapassar o respeito aos costumes locais. Portanto, nada de expor o corpo.
Eles atendem a quatro chamados diários para oração. Não importa onde estejam e o que estão fazendo. O sino bateu, é hora tirar os sapatos e ajoelhar-se no tapete para orar. Em todos os lugares há um cantinho para a oração.
Final do dia e hora de fazer aquele happy hour, certo? Errado. Nada de cerveja. Com exceção de alguns poucos hotéis que vendem a bebida para estrangeiros, a cerveja é proibida. Quem é de fora precisa requerer carteirinha especial concedida pelo governo para comprar cerveja em um único estabelecimento credenciado e, ainda assim, para consumo em casa.

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