Uma história de genocídio
Uma história de genocídio
Marcos Cesar Gouvea
De Londrina
O gigante indonésio, 200 milhões de habitantes, invadiu a ex-colônia portuguesa do Timor Leste em 7 de dezembro de 1975, assim que o pequeno território (menor que o Estado de Sergipe) proclamou sua independência.
Segundo a guerrilha que resiste à força indonésia, a invasão causou a morte de pelo menos 200 mil timorenses, em consequência da guerra, da tortura e da fome. Isso representaria mais de 44% da população existente no território antes da ocupação.
Xanana Gusmão, poeta e líder maior da resistência, preso desde 1992, condenado a vinte anos de prisão em Jacarta, capital da Indonésia, foi libertado na terça-feira. Na quarta-feira, seu pai, Manuel Gusmão, de 82 anos, foi morto pelas milícias pró-integração à Indonésia em Dili.
Durante a ocupação, apenas 1% da população do Timor Leste falava o português, uma língua proibida pelos indonésios na ilha. Em 1975, ano da invasão, os EUA aumentaram em 450% o envio de armas para a Indonésia conforme os independentistas. Aviões de fabricação estadunidense foram utilizados pelos militares indonésios nos bombardeios que acompanharam o processo de ocupação.
Apoiada pelas grandes potências, sobretudo pelos Estados Unidos e Grã-Bretanha, a Indonésia desrespeitou as resoluções da ONU exigindo a retirada das tropas invasoras e a autonomia do território. Carlos Ximenes Belo, bispo de Dili, capital do Timor Leste, e José Ramos-Horta, representante do líder Xanana Gusmão, receberam o Prêmio Nobel da Paz 96.
Depois da queda do ditador Suharto, no ano passado, em meio ao furacão que varreu a economia indonésia, assumiu a presidência o presidente do Parlamento Josuf Habibie. Ele surpreendeu o mundo ao conceder ao povo timorense o direito de escolher entre a autonomia dentro da Indonésia e a independência. A votação, conduzida por uma missão da ONU, foi amplamente vencida pelos independentistas.
A divulgação do resultado deflagrou o massacre em curso contra a população, cometido pelas milícias pró-integração com a Indonésia e com a colaboração do Exército. Segundo o Diário de Notícias, de Lisboa, o plano de limpeza política ou limpeza étnica no Timor Leste foi planejado pelos serviços secretos do exército indonésia e era conhecido pela ONU desde agosto.





