Bagdá - Os recentes seqüestros, atentados e assassinatos no Iraque dão a imagem de uma guerrilha plural e em constante evolução, caracterizada pelo surgimento de novos grupos incentivados pelo êxito do caso do refém filipino, argumentaram analistas.
  ‘‘Há várias resistências e inclusive a que se chama de resistência nacional (ex-militares ou baathistas) está dividida em vários grupos’’, assinala Wamid Omar Nazmi, professor de Ciências Políticas da Universidade de Bagdá.
  ‘‘Muitas pessoas eram obrigadas a se filiar ao Partido Baath (do presidente deposto Saddam Hussein) e depois se tornaram islamitas, outras se classificam de patriotas’’, disse à AFP Nazmi, para explicar a complexidade dos grupos iraquianos.
  Numerosos atentados são dirigidos contra as forças americanas ou as delegacias locais, com a evidente intenção de dissuadir os iraquianos de colaborar com os ocupantes, mas outras são ‘‘ilegíveis’’, a menos que se trate de ‘‘erros’’, destacam os analistas.
  É como o disparo de um projétil que matou duas pessoas quarta-feira no hospital Adnan Jairala de Bagdá, que indignou o pessoal, ou do atentado com carro-bomba, sem objetivo evidente, que deixou três mortos no mesmo dia em Bagdá.
  Por outra parte, embora os seqüestros de estrangeiros cujos países participam na coalizão pretendam obrigá-los a partir do Iraque, a finalidade do rapto anunciado na quarta-feira, de sete pessoas procedentes de países que, não têm tropas no Iraque (Quênia, Índia, Egito) é menos clara.
  Os seqüestradores, que dizem pertencer a um grupo chamado ‘‘As Bandeiras Negras’’, exigem a retirada da empresa kuwaitiana que emprega esses sete caminhoneiros.
  Entretanto, como assinalam Nazmi e outro analista, Hasni Abidi, também se menciona a implicação de ‘‘máfias’’ associadas ou não à guerrilha, cuja contribuição para o caos só pode servir aos partidários da desordem.
  O grupo ‘‘As Bandeiras Negras’’ é desconhecido, assim como ‘‘Os Leões de Alᒒ, que na sexta-feira seqüestraram um diplomata egípcio, Mohamed Mamdu Qotb.
  O analista egípcio Dia Rashuan, especialista nos movimentos islamitas, afirma que atualmente se assiste a um fenômeno de ‘‘imitação e multiplicação dos grupos rebeldes’’, segundo ele amplificado pelo êxito dos seqüestradores no caso do refém filipino.
  Um caminhoneiro filipino seqüestrado foi libertado na terça-feira em Bagdá, depois que o governo de seu país anunciou que cedia às exigências de seus captores e que ordenava a partida antecipada de seu contingente no Iraque.
  Esta decisão irritou profundamente os Estados Unidos.
  ‘‘Há dezenas de grupos e de movimentos, de todas as cores políticas, nacionalistas, baathistas, islamitas, sunitas, xiitas e é impossível falar de uma estratégia única, embora geralmente os alvos sejam comuns’’, acrescenta Rashuan.
  Abidi compartilha esta opinião, acrescentando que ‘‘a guerrilha é plural e inclusive alguns grupos se enfrentam’’.
  ‘‘Não se deve esquecer que o objetivo do vizinho iraniano e de suas ligações com o Iraque (alguns grupos e movimentos xiitas) não é obrigatoriamente o mesmo do Baath, inimigo perpétuo dos iranianos’’, acrescenta este analista de origem argelina.
  ‘‘Os partidos e os grupos armados estão em plena reestruturação, já que serão os intelocutores cruciais do Iraque futuro’’, afirma Abidi, diretor em Genebra do Centro de Estudos e Investigações sobre o Mundo Árabe e Mediterrâneo.
  ‘‘Os eleitores iraquianos se lembrarão dos patriotas e dos traidores’’, concluiu.

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