Um político respeitado pela integridade moral
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 02 de junho de 1997
Charlotte Raab, 
da France Presse
PARIS - O líder do Partido Socialista francês, Lionel Jospin, nomeado ontem premier pelo presidente gaullista Jacques Chirac, após a grande vitória do PS nas eleições de domingo, é um socialista conhecido por sua integridade moral, que tem como princípio prometer o que fará e fazer o que prometeu.
Nascido a 12 de julho de 1937 em Meudon, leste de Paris, numa família protestante, formado pelo Instituto de Estudos Políticos de Paris e ex-aluno da elitista Escola Nacional de Administração (Ena), Lionel Jospin milita no PS desde 1971, converteu-se em seu número dois em 1979 e em 1981 assumiu o cargo de primeiro secretário no lugar de François Mitterrand, recém-eleito presidente da República.
Jospin chega ao poder com uma reputação de integridade que todos os analistas reconhecem, tanto de direita como de esquerda.
Uma reputação confirmada em 1992, quando deixou o governo socialista, quatro anos depois de ter entrado nele, no momento da chegada do empresário Bernard Tapie, hoje preso por corrupção.
Desde sua volta à chefia socialista, soube se distanciar do legado de François Mitterrand e reorganizar ao seu redor um partido que há quatro anos parecia em plena bancarrota.
Isto lhe permitiu reconquistar os eleitores desanimados pelos fracassos políticos da esquerda diante do crescente desemprego (que chega atualmente a 12,8% da população ativa francesa) e da multiplicação dos escândalos político-financeiros.
Jospin chega ao poder dois anos depois das eleições presidenciais em que desafiou surpreendentemente Chirac, num momento em que a esquerda francesa havia perdido todo seu crédito.
O neogaullista Jacques Chirac foi finalmente eleito no segundo turno. Dois anos depois, Jospin se vingou e impôs a primeira coabitação entre um presidente conservador e um chefe de governo esquerdista. Domingo, sua vitória coroou sua empresa de renovação do partido socialista.
Jospin não é partidário dos escândalos nem das promessas que não se cumprem. Durante a campanha, seu programa se foi tornando singularmente mais ponderado. A promessa de criar 700.000 empregos para os jovens e de reduzir a jornada de trabalho de 39 para 35 horas semanais, sem redução salarial, foi subordinada a imperativos de negociação.
Pertenço à cultura da responsabilidade e espero que não cometamos o menor erro, disse Jospin domingo à noite.
Pai de dois filhos de um primeiro casamento, Jospin se casou há três anos com uma renomada filósofa, Sylviane Agasinski.


