Um passo histórico
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 01 de julho de 2015
Folhapress 
São Paulo Cuba e EUA anunciaram ontem que deverão reabrir em 20 de julho as embaixadas em Washington e Havana, em mais um passo na retomada de relações entre os dois países. Em pronunciamento na Casa Branca, o presidente americano, Barack Obama, afirmou que a medida é um "passo histórico" e mais uma demonstração de que os EUA não têm de ficar aprisionados ao passado. O líder americano também anunciou que o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, viajará a Havana para hastear a bandeira americana na embaixada.
Segundo Obama, a reabertura completa da embaixada em Havana significa que os diplomatas dos EUA poderão lidar diretamente com autoridades cubanas, com líderes da sociedade civil e cubanos comuns. Em seu pronunciamento, o presidente americano também pediu que o Congresso levante o embargo a Cuba.
As representações americana na ilha cubana e em Washington estão fechadas desde 1961. A reabertura era esperada desde dezembro, quando o descongelamento das relações foi oficializado por Obama e o ditador Raúl Castro. O anúncio foi feito inicialmente em nota do Ministério das Relações Exteriores de Cuba.
Pouco antes do comunicado cubano, o chefe da seção de negócios americano em Cuba, Jeffrey DeLaurentis, entregou o pedido formal a Marcelino Medina, ministro interino das Relações Exteriores cubano. A expectativa é que o prédio que hoje abriga a seção de negócios americana seja aberto como embaixada em evento com a participação do secretário de Estado, John Kerry. Ele será responsável por hastear a bandeira no local.
Ao mesmo tempo, Cuba faz reformas na casa onde fica sua seção de negócios em Washington. O local teve sua cerca pintada e ganhou um mastro onde deverá ser hasteada a bandeira. Em nota, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro comemorou a decisão e a considerou o passo mais importante na normalização das relações entre os dois países.
A retomada das relações entre EUA e Cuba é vista como o maior legado de política externa que Obama deixará em sua Presidência. Também representa o maior sinal de abertura do regime cubano desde que Fidel Castro tomou o poder, em 1959.
A reabertura das embaixadas, porém, deverá encontrar resistências, principalmente do Congresso americano. As duas casas do Legislativo são dominadas pelos republicanos, que são contra a negociação com o país comunista.
Isso poderá impedir a liberação dos US$ 6,6 milhões (R$ 20,46 milhões) para a reforma do prédio da embaixada em Havana e a efetivação de Jeffrey DeLaurentis como embaixador.


