Um país à beira do colapso
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sábado, 24 de setembro de 2011
Jamil Chade <br>Agência Estado 
Atenas - Há duas semanas, as aulas recomeçaram na Grécia, depois de três meses de férias de mais um tórrido verão. Mas os alunos logo descobriram que a crise desembarcou com força. Nenhuma das escolas públicas do país recebeu os livros escolares para o ano e pelo menos metade não tinha nem sequer giz para os professores.
O motivo foi a decisão de editoras e empresas de não mais entregar o material diante dos calotes sucessivos do Estado. A polêmica escancara uma dura realidade na Grécia: a crise da dívida chegou ao cidadão comum e, pela primeira vez desde o fim da 2 Guerra Mundial, um país europeu promove explicitamente o desmonte do estado de bem-estar social, que por décadas foi motivo de orgulho da Europa.
Colocado contra a parede pelo Fundo Monetário Internacional e pela União Europeia, o governo socialista de George Papandreou não teve outra opção senão a de iniciar uma onda de cortes.
Os dados oficiais já mostram que a redução no tamanho da economia será duas vezes superior ao que os Estados Unidos perderam em 1930. Entre 2009 e 2012, a Grécia terá uma redução de seu PIB em 15%, segundo o FMI. O desemprego chega a 16%, o dobro em dois anos, e 15% das pequenas e médias empresas fecharam as portas. 100 mil dos 750 mil funcionários públicos serão demitidos até 2015 e dezenas de serviços sociais deixarão de ser oferecidos.
Um capítulo crítico da crise tem sido os hospitais. Há uma semana, a fabricante de remédios Roche anunciou que parou de entregar medicamentos aos hospitais públicos gregos. O motivo: o Ministério da Saúde não pagava suas contas há dois anos.
Mas o que não se consegue esconder é que a crise na saúde já afeta a população. Dados oficiais do Ministério da Saúde apontaram que a taxa de suicídios passou de 3 para cada 10 mil pessoas em 2008 para 6 em 2010.
O governo já anunciou que elevará os impostos sobre a eletricidade e gás para o aquecimento das casas. Com a renda em queda, desempregados e sem futuro claro, muitos pensarão duas vezes antes de ligar o aquecedor quando o inverno gelado chegar.


