Um milhão de pessoas em histórico adeus a João Paulo II
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sexta-feira, 08 de abril de 2005
Claudia Rahola e<br>Kelly Velásquez<br>France Presse 
CIDADE DO VATICANO - Um milhão de fiéis se despediram ontem do Papa João Paulo II em um histórico funeral antes de seu sepultamento dentro da basílica de São Pedro. ''Santo, santo, santo'', gritaram durante longos minutos os cerca de 300 mil devotos e peregrinos que lotaram a praça de São Pedro para dar o último adeus a um dos pontífices mais queridos.
O caixão de João Paulo II, carregado por 12 funcionários do Vaticano, foi retirado em procissão do átrio do templo para a basílica, onde será enterrado na cripta, diretamente ao nível do solo sob uma lápide simples de mármore branco, no local que foi ocupado por João XXIII até sua beatificação no ano 2000. Esta será uma cerimônia íntima e não contará com a presença dos meios de comunicação.
No fim da cerimônia, os sinos da basílica de São Pedro ressoavam o toque dos mortos e muitos bispos acenavam as mãos na última despedida a Karol Wojtyla, o polonês que ocupou o trono de Pedro durante os últimos 26 anos.
''O Papa nos vê e nos abençoa'', declarou o cardeal alemão Joseph Ratzinger ao concluir a homilia durante a missa de corpo presente diante da basílica de São Pedro.
''Não esqueceremos nunca, o último domingo de Páscoa de sua vida, quando o Papa marcado pelo sofrimento apareceu na janela do palácio apostólico e deu pela última vez a bênção 'urbi et orbi''', acrescentou o cardeal, que foi interrompido em 13 ocasiões pelos aplausos dos fiéis e peregrinos.
Ratzinger elogiou o trabalho de João Paulo II, destacando que assumiu ''uma carga que está além das forças humanas''. ''Graças a seu profundo arraigamento em Cristo, pôde suportar uma carga que está além das forças puramente humanas: ser o pastor do rebanho de Cristo, de sua Igreja Universal'', declarou.
''Nosso Papa, sabemos todos, nunca quis resguardar sua própria vida, guardá-la para ele, quis dar-se ele mesmo sem reserva, até o último momento, para Cristo e por isso a nós também'', disse.
O caixão simples de cipreste claro e com uma cruz e a letra ''M'' gravadas, num sinal de sua devoção à Virgem Maria , foi colocado diante do altar sobre um tapete oriental, entre cantos gregorianos.
Sobre o caixão foram colocados os santos evangelhos, cujas páginas viravam ao vento em uma manhã de primavera nublada em Roma. O cardeal Ratzinger, que presidiu a cerimônia de três horas de duração, iniciou solenemente a missa um pouco antes das 10h30 (5h30 de Brasília). Ele pronunciou uma breve prece e convidou os fiéis a rezar, antes de passar a palavra a uma jovem espanhola, Alejandra Correa, que pronunciou em espanhol a ''Leitura dos Atos dos Apóstolos''.
A missa de funeral, com a participação dos corais da Capela Sistina e da ''Mater Ecclesiae'', também foi celebrada por todos os cardeais presentes em Roma, vestidos com seus paramentos púrpura e mitra branca.
À direita do átrio, de frente para o grupo de cardeais, estavam as autoridades estrangeiras, incluindo os presidentes George W. Bush, dos Estados Unidos, e Luiz Inácio Lula da Silva, do Brasil que ficou sentado na primeira fila, ao lado da primeira dama Marisa Letícia , assim como o rei Juan Carlos da Espanha. Cerca de 200 líderes mundiais participaram da cerimônia.
Antes do funeral, o corpo do Papa mais peregrino da história foi introduzido em um caixão de madeira cipreste e selado em uma breve cerimônia íntima, na presença do cardeal camerlengo, o espanhol Eduardo Martínez Somalo, e do secretário pessoal de João Paulo II nos últimos 40 anos, monsenhor Stanislaw Dziwisz.
Um milhão de pessoas assistiram ao funeral do Papa na basílica de São Pedro e seus arredores, segundo estimativas das fontes de segurança citadas pela imprensa italiana. Pelo menos 300 mil pessoas, em sua maioria jovens italianos e poloneses, estavam na praça de São Pedro e na Via da Conciliação, que une a área histórica de Roma à Santa Sé. As outras 700 mil estavam espalhadas diante dos 28 telões instalados em pontos estratégicos da capital italiana.
Os fiéis e peregrinos, incluindo muitos latino-americanos, exibiam dezenas de bandeiras de diversos países e uma grande faixa com a frase ''Santo Subito'' (Santo Já). Muitos pediam a rápida canonização de João Paulo II.


