São Paulo - Desde que Evo Morales renunciou à presidência, em 10 de novembro, a Bolívia viveu dias intensos: passou por uma convulsão social que deixou ao menos 33 mortos, por bloqueios em estradas seguidos por desabastecimento na cidade de La Paz, por dois dias de vazio de poder e pela polêmica posse de uma presidente interina que assumiu prometendo convocar um novo pleito.

Um mês depois, ainda não há data definida para a nova eleição. O processo que levará a ela, porém, já deslanchou: mais de 500 pessoas se candidataram a uma das vagas para o TSE (Tribunal Supremo Eleitoral), que será totalmente renovado. Uma vez empossadas, no fim de dezembro, elas terão 48 horas para definir o calendário eleitoral.

Pela lei, a nova votação deve ocorrer em até quatro meses. A expectativa dos analistas é que o primeiro turno seja em março de 2020. "Seria um prazo mais do que prudente", diz Paul Antonio Coca, advogado constitucionalista e analista político boliviano.

Ele lembra que, para evitar um novo vazio de poder até que o novo dirigente assuma, os mandatos dos congressistas e da presidente interina, Jeanine Añez, que terminariam em 22 de janeiro, deverão ser prorrogados com a anuência do TSE e do Tribunal Constitucional. A eleição para prefeitos e governadores, prevista para março de 2020, também deve ser adiada e ocorrer no segundo semestre.

Em um dos cenários discutidos, Añez poderia ficar no cargo até 6 de agosto, Dia da Pátria na Bolívia. "Até 2006, a posse sempre foi no dia 6 de agosto. Devido à crise política em 2005, a partir daí mudou para 22 de janeiro. Uma das possibilidades avaliadas agora é que se volte a essa data histórica", diz o advogado.

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