NAÇÔES UNIDAS - Uma pessoa de fala mansa e de idéias claras, Kofi Atta Annan tem conseguido passar pelo campo minado da política da ONU quase sem arranhões. Membro de uma família de mercadores do grupo étnico Fante, casado com uma artista sueca, Annan, 58 anos, assumiu dezenas de cargos na ONU antes de se tornar o subsecretário-geral para operações de forças de paz em março de 1993.
Ele foi diretor de pessoal, coordenador de segurança, diretor de orçamento, gerente-operacional, controlador e executivo de agência de refugiados, apenas para citar algumas de suas posições em Addis Ababa, Cairo e Nova York nos últimos 30 anos.
Ele será o primeiro secretário-geral da ONU de um país africano ao sul do Saara e o único oriundo da burocracia das Nações Unidas. Mesmo assim, os Estados Unidos, que forçaram o patrão de Annan, o secretário-geral Boutros Butros-Ghali, a abandonar seu cargo supostamente por não enxugar suficientemente a burocracia da ONU, estão entre seus maiores partidários.
Annan foi oficialmente confirmado na íltima terça-feira como o novo secretário-geral da ONU pela Assembléia Geral de 185 nações-membros. Ele foi aprovado por unanimidade pelo Conselho de Segurança no dia 13, depois de a França, que apoiava Butros-Ghali ou um candidato de um país africano de língua francesa, abandonar suas objeções.
Com as Nações Unidas sofrendo de excesso de crítica e escassez de fundos, ele enfrenta a tarefa de convencer o mundo de que é um diplomata, gerente, humanista e visionário com a habilidade de Butros-Ghali.
Trabalhando num escritório do 37º andar decorado com esculturas e condecorações, Annam é conhecido entre seus partidários como uma pessoa tranquila e serena. ‘‘Ele algumas vezes joga seu peso gentilmente de um pé para o outro mas esta é toda a tensão que você consegue ver nele’’, afirmou um funcionário, um dos muitos bastante leais a ele.
Ele também tem um refinado senso de humor. Perguntado durante a disputa para a secretaria-geral se falava bem o francês, ele replicou: ‘‘Eu agora falo inglês com sotaque francês’’, numa referência à insistência de Paris em relação ao domínio da língua.
Annan nasceu com um irmão gêmeo, o terceiro de cinco filhos, em 8 de abril de 1938. Ele passou sua infância em Bekwai, nas proximidades de Kumasi, capital interiorana do império pré-colonial de Ashanti.
Seu falecido pai, Henry, foi gerente distrital da United Africa Company (hoje Unilever) e mais tarde um ministro regional de Ashanti. Sua mãe, Victoria, 88 anos, vive em Accra, Gana.
Formado pela Universidade de Ciências e Tecnologia em Kimas, ele deixou sua casa pela primeira vez em 1959 com uma bolsa da Fundação Ford para estudar no Macalester College, em St. Paul, Minnesota, onde recebeu o bachalerado em economia.
Em 1974, retornou a Gana como diretor-operacional da agência de turismo do país mas em 1976 voltou para as sedes da ONU em Nova York e Genebra onde trabalhou para o alto comissariado para refugiados.
Seu primeiro casamento com uma nigeriana acabou em divórcio. Em 1994 se casou com Nane Lagergren, que foi advogada e juíza na Suécia antes de se tornar pintora em tempo integral. A mãe de Nane era irmã de Raoul Wallenberg, o diplomata sueco que resgatou dezenas de milhares de judeus dos nazistas na Hungria no final da Segunda Guerra Mundial.

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