Um dia após atentados, familiares buscam corpos de vítimas no Egito
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segunda-feira, 10 de abril de 2017
Folhapress 

São Paulo Nesta segunda-feira (10), primeiro dia do estado de emergência decretado pelo governo do Egito, famílias ainda tentavam encontrar os corpos de parentes mortos nos ataques terroristas registrados em Alexandria e Tanta. No domingo (9), duas explosões em igrejas coptas deixaram pelo menos 44 mortos e cem feridos. Segundo comunicado oficial, a medida de exceção entrou em vigor a partir das 13 horas desta segunda (8 horas em Brasília), mas ainda deverá ser aprovado pelo Parlamento em até sete dias para continuar válido. A medida foi anunciada no domingo em um comunicado televisionado do presidente Abdel Fattah al-Sisi, após os atentados.
Em Tanta, a polícia barrou a multidão que se aglomerava do lado de fora do necrotério do hospital universitário da cidade. "Por que vocês estão impedindo a nossa entrada? Onde vocês estavam quando tudo isso aconteceu?" gritou uma mulher que buscava um familiar. Os ataques contra igrejas no Egito coincidem com a visita do papa Francisco, prevista para o fim deste mês, o que deve colocar a tensão sectária e a capacidade do aparato de segurança ainda mais em foco.
O estado de emergência deve expandir os poderes das forças de segurança. Há receio entre ativistas de que isso leve a um recrudescimento ainda maior no país, onde as liberdades individuais têm minguado, segundo organizações de defesa dos direitos humanos.
O primeiro ataque no domingo ocorreu na igreja de Mar Girgis, na cidade de Tanta. Pouco depois, um homem-bomba se explodiu diante da catedral de São Marco, em Alexandria, na costa mediterrânea. Os atentados foram reivindicados pela organização terrorista Estado Islâmico (EI), que tem uma filial no Egito e declarou uma campanha de perseguição contra os cristãos coptas, que representam cerca de 10% da população do país.
O papa afirmou no domingo, durante uma missa no Vaticano, que "reza pelos mortos" dos ataques no Egito. "Que o senhor converta os corações das pessoas que semeiam terror, violência e morte e mesmo os corações daqueles que produzem e traficam armas." Apesar dos atentados, a visita do pontífice ao Egito, prevista para o fim do mês, está mantida.
Já Israel anunciou nesta segunda o fechamento de seu posto na fronteira com o Egito diante de ameaças de um ataque "iminente". Pouco depois, sirenes foram disparadas em partes do sul de Israel para alertar os residentes contra ataques de míssil. Segundo o Exército israelense, um foguete disparado da península do Sinai caiu em uma estufa no país, sem deixar feridos. O EI reivindicou a autoria do ataque.


