Um ano depois da invasão, cresce a oposição a Bush
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sábado, 10 de abril de 2004
Maria Lorente<br> France Presse 
Los Angeles - Um ano depois da queda do regime de Saddam Hussein, os americanos começam a se cansar da ocupação militar de suas tropas no Iraque e da forma com que seu presidente, o republicano George W. Bush, lida com a situação. Na progressista costa oeste americana, são cada vez mais as vozes que se erguem contra a presença das tropas americanas que travam um sangrento combate simultâneo contra a resistência sunita e os xiitas liderados por Moqtada Sadr.
''Se nossas tropas deixassem de perder efetivos e voltassem para casa, não me importaria se a guerra continuasse. Mas me dá muita raiva quando penso que nossos impostos vão para lá quando poderiam ir para a melhoria das escolas'', disse Eric García, um funcionário rodoviário de 25 anos.
''A princípio eu era pró-Bush, mas agora estou me inclinando para (o candidato democrata à Presidência, John) Kerry, devido à má administração da guerra'', acrescentou.
Em pleno período eleitoral, uma recente pesquisa feita na Califórnia mostrou que - só nos últimos dias - o nível de aprovação do presidente caiu vertiginosamente, de 49% para 38%, até mesmo nas regiões mais conservadoras do estado.
Esta opinião é compartilhada pela maioria dos americanos, como mostra pesquisa da CNN/Time, segundo a qual a popularidade de Bush caiu para 49%, o nível mais baixo desde que o presidente chegou à Casa Branca.
Os americanos começam a expressar seu cansaço diante da ausência de planos concretos e da informação sobre soldados americanos que morrem em emboscadas, ataques e confrontos.
Como era de se esperar, a superexposição pela TV das imagens de quatro americanos civis assassinados e mutilados por uma multidão enfurecida na cidade rebelde sunita de Fajula, a oeste de Bagdá, chocou a opinião pública americana, que um ano atrás se declarava favorável à guerra (70%).
Desde o início da guerra, cerca de 650 militares americanos pereceram no Iraque, 442 deles em combate, a maioria depois que Bush declarou o fim das operações de envergadura no país, em 1º de maio.
Frente à grave deterioração da situação nesta semana, os democratas chegaram a comparar o Iraque com o Vietnã, um dos capítulos mais dolorosos da história americana.
Enquanto Bush passa o feriado de Páscoa em seu rancho no Texas, as críticas e acirram no momento em que Washington deve decidir se mantém a data de 30 de junho para a transferência de poderes aos iraquianos e se aumenta o contingente de tropas no Iraque.
O grupo ''Answer Coalition'' organizou para este fim de semana manifestações em 50 cidades americanas para protestar contra a guerra. ''À medida que o povo se informa sobre a situação e aumenta o número de vítimas em todas as frentes, a grande maioria da população começa a se dar conta de que esta guerra se baseou em motivos falsos'', disse Richard Becker, um dos líderes da organização. Com fotos sangrentas, artigos e editoriais, os jornais americanos também se lançam, sem disfarce, à exibição da crua realidade.
Steve Lopez, colunista do Los Angeles Times, criticou os assessores de Bush por minimizar a situação no Iraque, enquanto continuam as baixas entre as tropas americanas.''As autoridades devem decidir se precisam de mais tropas para os sangrentos combates, mas isso é porque talvez não saibam que não há grandes combates e que não há nada com que se preocupar no Iraque'', ironizou.
Mas apesar da crescente onda de críticas contra Bush, muitos de seus simpatizantes se mantêm firmes ao lado de quem acreditam que livrará o planeta do terrorismo.


