Angustiados pelo medo de uma derrota de seus aliados da direita nas eleições de segunda-feira, os ortodoxos judeus estão se mobilizando em massa, para reeleger o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu. Caso isso aconteça, eles têm muito a perder: desde 1996, com a chegada de Netanyahu ao poder, nunca tiveram tanto peso político, nem receberam tanto apoio do Estado para suas instituições. Mas também nunca haviam provocado tanta hostilidade da parte da maioria laica da população.
O principal partido ultra-ortodoxo, o Shass, que representa os sefarditas (judeus orientais), convocou ontem seus eleitores a votar por Netanyahu. O partido do Judaísmo Unificado da Torah, que representa os askenazis (judeus da Europa), deve fazer algo parecido, antes do final de semana. Diante da perspectiva de uma vitória da oposição trabalhista dirigida por Ehud Barak, os dois partidos radicais adotaram um tom apocalíptico em seus discursos.
O Shass centralizou sua campanha na defesa de seu chefe, o deputado Aryeh Deri, que no mês passado foi condenado por um tribunal a quatro meses de prisão por corrupção, apresentando-o como uma vítima das perseguições anti-religiosas e da discriminação contra os judeus sefardistas.
Segundo os dois partidos radicais, que obtiveram 12% dos votos nas eleições de 1996, a esquerda comete um pecado capital, ao querer fazer de Israel um país como qualquer outro, despojando o Estado de seu caráter judeu. O rabino Henri Kahn, alinhado ao partido da Torah, disse que não é por amor à direita, mas sim por temor à esquerda, que os ultra-ortodoxos se dispõem a votar em Netanyahu.
Muitos rabinos influentes, a partir de uma análise mais política da situação, já entraram em contato com os trabalhistas. ‘‘Podemos jogar com o medo para conquistar o eleitorado, mas se os trabalhistas ganharem, não poderão prescindir de nós’’, disse Yehuda Meshi Zahav, um responsável do partido Unificado da Torah. Os ultra-ortodoxos já foram aliados dos trabalhistas, até 1977.

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