Valerie Leroux
France Presse
De Newport, EUA
O Boeing 767 da EgyptAir seguiu uma trajetória final dramática e misteriosa, caindo primeiro a uma velocidade supersônica, recuperando depois altitude e descendo posteriormente a pique para se desintegrar, certamente, nesse vôo fatal.
A 33 mil pés (10 mil metros), o avião desviou seu rumo e começou uma queda acelerada em 40 segundos até os 16,7 mil pés (4,8 mil metros), indicaram na quarta-feira à noite os investigadores da Agência Nacional para a Segurança nos Transportes (NTSB).
Na segunda parte dessa etapa, de 20 segundos, o aparelho alcançou ‘‘aproximadamente a velocidade supersônica’’ (Mach 1), explicou um técnico da NTSB, John Clark, às famílias das vítimas e depois aos jornalistas, enquanto mostrava um gráfico.
Nesse momento, o Boeing não continuou sua queda – contrariamente às primeiras indicações – mas começou um movimento para a direita, antes de subir brutalmente a 24 mil pés (8 mil metros). Agora os peritos devem estabelecer se o piloto provocou essa subida brusca do aparelho ou se o avião seguiu uma tendência aerodinâmica natural.
Depois de ter alcançado 24 mil pés, o Boeing voltou a cair a 10 mil pés (3,3 mil metros). A essa altitude ‘‘numerosos pontos pequenos’’ apareceram nas telas de radar, segundo Clark. Continuaram se deslizando na direção do vento durante dois minutos e 40 segundos. Os ‘‘pontos pequenos’’ poderiam indicar que nesse momento o avião se desintegrou, ainda segundo Clark.
Clark negou-se a avançar na análise, destacando que os peritos não dispõem de informações suficientes. ‘‘Primeiro, necessitamos encontrar a caixa-preta’’, disse. Para isso, os investigadores deverão esperar dois dias, no mínimo, pois ondas de mais de seis metros de altura impediam ontem que os barcos possam se aproximar do lugar onde caiu o avião. O navio de resgate USS Grapple deve usar o veículo por controle remoto ‘‘Deep Drope’’ para recuperar as caixas-pretas do Boeing.
Segundo Rudi Kapustin, ex-perito da NTSB, ‘‘provavelmente o avião quebrou’’ a 10 mil pés. Contudo, é impossível determinar, tendo em conta os dados disponíveis, o que pode ocorrer a 16,7 mil pés e por que o piloto perdeu o controle do avião, disse Kapustin. A 16,7 mil pés, o decodificador do Boeing, que envia ao radar os dados da altitude, a velocidade e o rumo do aparelho, deixou de funcionar, afirmou. ‘‘Isso pode indicar que o sistema elétrico se ‘deteve’ e com ele o gravador de dados do vôo’’, acrescentou Kapustin. ‘‘Então, por que o Boeing voltou a subir? Só podemos especular.’’

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