Uganda mobiliza médicos para conter epidemia da febre Ebola
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terça-feira, 17 de outubro de 2000
France Presse De Gulu 
Médicos, pessoal sanitário e especialistas internacionais tentavam ontem conter a epidemia de febre hemorrágica do Ebola, que causou 37 mortos no Norte de Uganda, onde foram detectados dez novos casos nas últimas 24 horas.
Desde anteontem à noite, seis novos doentes foram internados no hospital de Lacho, dirigido por uma missão religiosa, na periferia da cidade de Gulu, situada 300 quilômetros ao norte de Kampala. Outros quatro pacientes chegaram ao centro hospitalar público da cidade, informou o tenente-coronel Walter Ochora, que dirige a equipe de luta contra a doença.
Ochora assinalou que apenas sete pessoas morreram desde sábado, o que pode significar que houve uma desaceleração da epidemia.
Alguns dos doentes hospitalizados já estão curados, mas permanecem em quarentena para impedir o contágio de outras pessoas, declarou.
A grande maioria dos casos foi registrada no distrito de Gulu, mas anteontem foram assinalados casos no vizinho distrito de Kitgun e em outras localidades situadas a mais de 100 quilômetros de Gulu.
A propagação do vírus do Ebola, que provoca uma febre hemorrágica mortal entre 50 e 90% dos casos, pode ser contida evitando qualquer contato com as pessoas doentes ou falecidas por causa da doença.
As autoridades locais decidiram criar cemitérios em cada localidade para enterrar os mortos. Os cadáveres serão envolvidos em plástico e enterrados por soldados e funcionários sanitários.
Paralelamente, uma campanha foi lançada na região para pedir aos habitantes que suspendam as cerimônias funerárias tradicionais para evitar contágio.
Os médicos consideram que grande parte das vítimas da epidemia sofreu contágio durante os funerais das pessoas mortas pela febre. De fato, a tradição pede que o corpo de morto seja lavado por todos os participantes da cerimônia, durante a qual também compartilham alimentos.
Três especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) chegaram ontem a Gulu e foram conduzidos imediatamente por militares à localidade de Rottobilo, onde se registrou o primeiro caso da doença, quando um jovem orreu no dia 17 de setembro.
Um centro de supervisão será instalado nesse povoado. Segundo o tenente-coronel Ochora, não está previsto o isolamento de Gulu do resto do país.
Até o momento, colocamos em quarentena apenas as três localidades nas quais ocorreram os casos iniciais, disse, acrescentando que essas medidas são aplicadas mediante uma sensibilização da população e ao fechamento das estradas.
Mensagens difundidas pela rádio aconselham aos habitantes que permaneçam em seus povoados.


