Uganda assegura que punirá os responsáveis
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de março de 1999
Reuters 
O presidente de Uganda, Yoweri Museveni, prometeu ontem capturar ou matar os rebeldes hutus que assassinaram oito turistas estrangeiros no Parque Nacional de Bwindi, na segunda-feira, e admitiu que seu governo não tomou as precauções necessárias para evitar a tragédia.
Depois de pedir desculpas pelas mortes, Museveni disse que enviou tropas para perseguir os rebeldes na vizinha República Democrática do Congo (RDC, ex-Zaire).
Se não os apanharmos, nós os mataremos, afirmou ele numa entrevista coletiva em Kampala.
Soldados de Ruanda estão realizando patrulhas conjuntas com os ugandenses na floresta.
Mais de cem rebeldes atacaram diversos acampamentos na segunda-feira na Floresta Impenetrável, famosa por abrigar os raros gorilas da montanha. Os animais ficaram famosos com o filme Os Gorilas da Montanha, de 1988, no qual a atriz Sigourner Weaver fazia o papel da pesquisadora Dian Fissey, que trabalhou com os gorilas em Ruanda.
Eles sequestraram 31 estrangeiros, mas levaram apenas 14 para as montanhas, tomando o cuidado de escolher aqueles que falavam inglês: três americanos, seis britânicos, três neozelandeses, um australiano e uma suíça. Os oito assassinados - quatro britânicos, dois americanos e dois neozelandezes - foram mortos com facas, facões e machados.
Os rebeldes teriam estuprado uma das mulheres, segundo o relato de um dos sobreviventes, que foram libertados com uma mensagem dos rebeldes para os países ocidentais, na qual os advertiam para que cortem seus laços com o governo de Ruanda, liderado por tutsis.
Os mortos foram um casal americano de executivos da Intel, Rob Haubner, de 48 anos, e Susan Miller, de 42 anos; os neozelandeses Michele Strather, de 26 anos, e Rhonda Avis, de 27 anos (o marido dela estava no grupo, mas escapou); e os britânicos Mark Lindgren, de 23 anos, Steven Roberts, de 27 anos, Martin Friend e Joan Cotton.
Uma equipe do FBI americano chegou ontem a Uganda para ajudar na investigação dos assassinatos.
Os combatentes ruandeses fugiram de Ruanda depois de ter massacrado cerca de 800.000 tutsis e hutus moderados em 1994, refugiando-se nas florestas do Zaire.


