UE terá coordenador antiterrorista
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quinta-feira, 25 de março de 2004
France Presse 
Bruxelas - Os líderes da União Européia (UE) começaram ontem à tarde em Bruxelas uma cúpula de dois dias, na qual nomearão um coordenador antiterrorista e impulsionarão as negociações para redigir o texto da primeira Constituição européia, depois de três meses de paralisação.
O encontro é o último para a delegação espanhola: o presidente do Governo, José María Aznar, a ministra de Relações Exteriores, Ana Palácio, e o ministro de Economia, Rodrigo Rato, após a derrota do Partido Popular nas eleições de 14 de março.
A posição a ser defendida por Aznar e sua equipe na cúpula foi coordenada pela última vez ontem de manhã em uma reunião do atual chefe de Governo com o futuro, o socialista José Luis Rodríguez Zpatero, em Madri. ''A Espanha estará em uma posição muito construtiva'' na cúpula e Aznar ''repercutirá a nova realidade da política espanhola e defenderá uma posição de respeito ao ponto de vista de Zapatero'', declarou na véspera em Bruxelas o próximo presidente do Congresso espanhol e ex-comissário europeu Manuel Marín.
A transição do Governo espanhol, que mudará de mãos em meados de abril, deve levar em conta, em relação a esta cúpula, a mudança de posição espanhola na negociação da Constituição européia. Os mandatários europeus decidirão esta quinta-feira continuar as negociações do texto da Carta Magna depois do fracasso da última cúpula européia, em dezembro, em parte pela negativa da Espanha, junto com a Polônia, de reformar o sistema de tomada de decisões no conselho de ministros, principal obstáculo da negociação.
O futuro governo socialista é neste ponto mais flexível que o de Aznar e se comprometeu a ''agilizar'' as negociações. O ministro irlandês para a Europa, Dick Roche, cujo país preside a UE este semestre, declarou esta quinta-feira em Bruxelas que há uma ''vontade de avançar'' na negociação por parte dos governos europeus.
Com a mudança espanhola, a Polônia parece ter suavizado também sua posição e o chanceler polonês, Wlodzimierz Cimoszewicz, disse esta quinta-feira que com as novas propostas das últimas semanas, ''não exclui a possibilidade de chegar a um acordo fundamentado na dupla maioria'', ou seja, a proposta majoritária para reformar as votações por maioria no conselho de ministros.
Os atentados de 11 de março em Madri modificaram a agenda deste Conselho Europeu de março, que em princípio seria aberto com a negociação constitucional, mas o fará com o debate antiterrorista e as medidas que a UE pretende tomar para reforçar sua coordenação neste terreno.
Os chefes de Estado e de Governo de 25 países (os Quinze, mais os 10 que vão aderir no dia 1º de maio) adotarão uma Declaração sobre a luta antiterrorista e nomearão coordenador europeu o ex-secretário de Estado holandês Gijs de Vries, que trabalhará junto com o alto representante de Política Externa e de Segurança da UE, Javier Solana.
Um maior intercâmbio de informação entre os serviços de polícia, inteligência e segurança dos países da UE fica em mãos de Solana, que fará uma proposta antes de junho, já que a cooperação neste terreno ''não é simples'' e também ''por enquanto não é realista nem politicamente madura'', segundo o presidente da Comissão Européia, Romano Prodi.
A cúpula destes dois dias também será a última para o comissário europeu de Assuntos Econômicos, Pedro Solbes, que na véspera aceitou ser ministro de Economia e Fazenda e segundo vice-presidente do próximo governo socialista espanhol.


