UE suspende sanções contra Iugoslávia
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segunda-feira, 09 de outubro de 2000
Reali Júnior Agência Estado De Paris 
O Conselho dos Negócios Gerais, que precede a reunião de cúpula da União Européia (UE), a partir de sexta feira em Biarritz, decidiu ontem, em Luxemburgo, suspender as sanções econômicas e comerciais contra a Iugoslávia decretadas em 1992 durante a guerra da Bósnia e reforçadas em 1999 durante a guerra de Kosovo, imaginando que essa medida possa ter efeitos concretos o mais rapidamente possível, segundo afirmou o ministro do Exterior da França, Hubert Védrine, país que preside até o fim do ano a UE.
Védrine segue hoje para Belgrado para levar a boa notícia ao presidente Vojislav Kostunica. Não se trata apenas do problema iugoslavo, mas do conjunto da região dos Bálcãs, que necessita de um verdadeiro Plano Marshall, segundo acreditam as autoridades européias, razão pela qual uma missão de avaliação deverá ser enviada muito rapidamente à Sérvia com o objetivo de completar um levantamento minucioso da situação.
Ontem a União Européia anunciou ajuda econômica de urgência de 2 bilhões. A Comissão Européia havia avaliado em cerca de US$ 4,8 bilhões a ajuda financeira ao conjunto dos países dos Bálcãs, entre 2000 e 2006.
Essa disposição européia está sendo recebida com certo ceticismo por outras ex-repúblicas iugoslavas, como Bósnia e Croácia, e pela província de Kosovo. Elas estão satisfeitas com a queda de Milosevic, mas temem ser prejudicadas pela divisão dos recursos com a Sérvia e Montenegro, agora que essas repúblicas que ainda formam a Federação Iugoslava se livraram do presidente acusado de crimes de guerra e contra a humanidade. Hoje, mais do nunca, essa reconstrução, após os bombardeios pelas forças da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) depende da ajuda internacional européia, mas também dos Estados Unidos.
A recente guerra fragilizou toda a região, pois uma grande parte dos fluxos comerciais romeno, búlgaro e da Macedônia transitava pela Sérvia, nos eixos ferroviário e rodoviário entre Trieste-Zagreb- Belgrado-Sófia e Istambul. Isso sem falar do tráfego fluvial, via Danúbio, parcialmente interrompido pela destruição de numerosas pontes pelos bombardeios aliados. Eles destruíram 59 pontes (7 sobre o Danúbio), 9 importantes eixos rodoviários, 7 aeroportos e 40 estabelecimentos industriais, sem falar de sistemas de transmissão e de telecomunicações, de rádio e televisão. A própria Otan estima que 62% da infra-estrutura rodoviária, 70% da produção de eletricidade e 80% da capacidade das refinarias de petróleo foram destruídos.
Kostunica terá de enfrentar também o problema das estruturas mafiosas que se firmaram no país na era Milosevic e se alimentavam da própria decomposição econômica iugoslava. Hoje, segundo o economista iugoslavo Ljubomir Madzar, é impossível fazer qualquer negócio no país sem o apoio da administração.
A economia paralela é responsável por 50% da produção nacional. Mas nem todas as sanções podem ser suspensas por simples decisão política, razão pela qual a UE deve mostrar uma grande sutileza, afirma o comissário europeu Chris Patten, referindo-se, por exemplo, ao levantamento do congelamento de bens financeiros do Estado, de empresas privadas e de gente próxima ao ex-presidente Milosevic no exterior.
O embargo petrolífero decidido em 1999 e suspenso ontem já se havia tornado mais flexível alguns meses atrás e as cidades da oposição já se vinham beneficiando dessa flexibilidade, enquanto o embargo aéreo foi também parcialmente suspenso a partir de março. A UE, desde 1999, havia proibido o ingresso em seus países de Milosevic, sua família e pessoas próximas a ele. Ao todo, 588 pessoas estão no índex.


