A União Européia (UE) levantou ontem suas sanções diplomáticas contra a Áustria, informou o palácio da presidência francesa. As sanções foram impostas em fevereiro pelos 14 sócios da Áustria na UE devido à inclusão no governo austríaco do ultradireitista Partido da Liberdade.
A França, que preside a União Européia até o fim do ano, teve de resolver uma questão desagradável, ou, como se diz, ‘‘descascar um abacaxi’’: o levantamento das sanções adotadas pela UE contra a Áustria há sete meses.
As sanções tinham sido adotadas quando a Áustria optou por um governo de direita, que compreende um partido conservador muito respeitável, o Partido Popular (OVP), e um partido extremista, o Partido da Liberdade (FPO), de Joerg Haider.
Haider, um Jean-Marie le Pen austríaco (mais sedutor), frequentemente prestou homenagens ao nazismo e ao próprio Hitler e chegou até a garantir sua sorte política com base no ‘‘ódio’’ contra os estrangeiros.
Os colegas da Áustria na UE decidiram então adotar sanções pesadas. Mas essas sanções não tiveram efeito. O governo ‘‘conservador’’ austríaco perdurou. Haider continuou sempre insolente. Os austríacos, feridos em sua honra nacional, apoiaram Haider. As sanções obtiveram um efeito contrário ao desejado.
A UE designou três especialistas para analisar o caso. Os especialistas refletiram e concluíram que tudo isso foi uma coisa estúpida, que seria preciso levantar imediatamente as sanções.
E foi a França que teve de resolver esse imbróglio. De fato, quando Viena adotou um governo com partidos de direita e de extrema direita, foi o presidente da França, Jacques Chirac, que soou imediatamente o alarme com uma energia extraordinária.
E ontem ainda foi ele – e seu governo – que teve de anular as sanções e reconhecer seu erro inicial. Haider agora tripudia, assestando seus ataques contra Chirac. Haider chamou-o de ‘‘Napoleão de bolso’’. Depois, intimado a retratar-se, Haider esclareceu: ‘‘Todos os Napoleões acabam em Waterloo...’’ Quando Chirac bradou tempestuosamente contra o perigo extremista representado por Haider, todos o aplaudiram, na França e no exterior. Mas, hoje, como as sanções da UE foram reconhecidas como um engano, todos se esquecem das próprias palavras e acusam Jacques Chirac.
A França estava condenada a agir depressa para apagar os sete meses de crise. Isso porque, dentro de duas semanas, um membro importante da União Européia – a Dinamarca – fará um plebiscito para que o povo diga se seu país deve entrar ou não na zona do euro.
Ora, a Dinamarca, embora governada pela esquerda (por social-democratas), recebeu muito mal as sanções da Europa contra a Áustria, denunciando essa atitude como um desprezo dos ‘‘grandes’’ pelos ‘‘pequenos’’. Portanto, o levantamento das sanções contra a Áustria pode facilitar um voto favorável dos dinamarqueses em relação ao euro.

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