Associated Press
O secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, revelou nesta segunda-feira um plano de construção da paz para Kosovo, colocando a União Européia (UE) como responsável pela reconstrução e dando às 54 nações da organização de segurança européia a responsabilidade primária de reconstruir instituições governamentais e organizar eleições. O Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) cuidará do retorno e restabelecimento de mais de 850 mil albaneses étnicos que fugiram de Kosovo e as Nações Unidas irão administrar a província - da polícia às escolas, ônibus e usinas elétricas, disse Annan num relatório ao Conselho de Segurança da ONU.
Um representante especial da ONU irá fiscalizar a hercúlea operação civil visando a tirar Kosovo e seu povo da devastação da guerra e levá-los a um futuro economicamente seguro sem medo de uma renovada intimidação étnica. Annan afirmou que ‘‘é imperativo’’ que um administrador civil trabalhe intimamente com forças militares estacionadas em Kosovo para garantir a volta em segurança dos refugiados. Annan apontou no sábado o brasileiro Sérgio Vieira de Mello, o subsecretário que chefia o órgão humanitário mundial, como representante especial interino até que ele decida sobre uma indicação permanente para a Missão de Administração Interina da ONU em Kosovo, ou UNMIK.
‘‘Esse é um novo tipo de missão para a ONU’’, afirmou a subsecretária-geral da ONU Louise Frechette numa entrevista coletiva, explicando que não apenas o comando militar estará fora das mãos da ONU como organizações não-governamentais também irão encabeçar duas operações-chaves civis. Sérgio de Mello terá quatro vices, cada um responsável por um grande componente da missão - administração, assuntos humanitários, criação de instituições e reconstrução. Sérgio de Mello deve enviar em 30 dias um relatório ao Conselho de Segurança com estimativas sobre o número necessário de pessoas para a UNMIK e uma proposta de orçamento.
Annan não fez menção para um plano de ajuda para o resto da Iugoslávia, o alvo das 34 mil missões de bombardeios da Otan visando a parar a limpeza étnica e atrocidades. Num relatório na sexta-feira, Sérgio de Mello recomendou que civis em toda a Iugoslávia deveriam receber ajuda humanitária de emergência e que a reconstrução deveria, em última análise, estender-se a todo o país.
Mas o presidente Bill Clinton disse na sexta-feira aos iugoslavos que os Estados Unidos não irão colaborar com a reconstrução da Iugoslávia ‘‘enquanto sua nação for governada por um indiciado criminoso de guerra’’, numa referência ao presidente Slobodan Milosevic.

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