UE lamenta posição da Argélia
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quarta-feira, 21 de janeiro de 1998
AE-Reuters Argel 
A União Européia (UE) lamentou ontem que a Argélia tenha rejeitado novamente uma investigação das Nações Unidas sobre os massacres de civis que se têm intensificado nos últimos anos no país.
No entanto, a UE manifestou-se satisfeita pelo ministro de Relações Exteriores Ahmed Attaf ter concordado em visitar Londres para continuar com as conversações sobre o conflito na Argélia. O secretário de Estado britânico, Derek Fatchett, chefe de uma missão de chanceleres juniores da UE, qualificou de positiva a visita de menos de 24 horas à Argélia do grupo.
Uma bomba explodiu ontem no centro de Argel, matando uma pessoa e ferindo 22, disseram testemunhas. Seis dos feridos estavam em estado grave, afirmaram a fontes. A explosão ocorreu às 15h15 (14h15 GMT) numa rua movimentada do bairro de Ben Aknoun.
Algumas testemunhas disseram que a bomba estava num ônibus parado na rodoviária de Ben Aknoun, nas colinas de Argel, mas a informação não foi confirmada por fontes oficiais.
O ataque ocorreu enquanto uma delegação da União Européia realizava encontros com membros do governo a respeito da crescente violência assolando a Argélia desde 1992.
Mais de 1.100 civis, incluindo crianças pequenas, foram mortos em ataques nas últimas 3 semanas - a maioria degolados ou queimados vivos. As autoridades argelinas e a mídia culpam rebedes muçulmanos fundamentalistas, particularmente o Grupo Armado Islâmico (GIA), pela carnificina. O último ataque massivo aconteceu na semana passada, a 30 quilômetros de Argel, no vilarejo de Sidi Hamed, onde o governo disse que 103 pessoas morreram.
A violência continua todos os dias. Habitantes do país disseram que anteontem, o dia de chegada do grupo europeu, mais de 16 pessoas foram degoladas na província de Bouira, 90 km a leste de Argel.
Jornais argelinos forneceram detalhes semelhantes ontem, além de relatarem outras 20 mortes. Estas incluiram 5 crianças que foram degoladas na província de Tiaret no domingo e seis membros de uma família no vilarejo de El Hammam, sul de Hassi Bahbah, no mesmo dia.
Cerca de 65 mil pessoas foram mortas nos seis anos de violência. Mas foi o surto de derramamento de sangue ainda maior, a partir do início do mês sagrado do Ramadã em 30 de dezembro, que chamou a atenção internacional para a Argélia e estimulou a visita dos ministros da União Européia.


