Jerusalém, Israel - A União Europeia publicou uma diretiva a seus 28 Estados membros exigindo que todo o contrato assinado com Israel traga uma cláusula especificando que os assentamentos israelenses não são parte do país e, portanto, não podem fazer parte do acordo.
A diretriz, publicada em 30 de junho e noticiada ontem pelo jornal israelense "Haaretz", entra em vigor na sexta-feira, no que deve ser um forte golpe diplomático e econômico a Israel. Um funcionário de alto escalão do governo israelense ouvido pelo periódico descreveu a decisão europeia como um "terremoto".
A União Europeia já atuava informalmente reconhecendo apenas os territórios israelenses anteriores à Guerra dos Seis Dias (1967), o que exclui a Cisjordânia e Jerusalém Oriental. Agora, porém, a definição torna-se oficial, e impede que países europeus financiem projetos ou concedam prêmios e bolsas de estudo para moradores desses assentamentos.
De acordo com o "Haaretz", há grande "tensão e ansiedade" no gabinete do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu. Ele teria, ao lado do vice-chanceler Ze'ev Elkin, tentado impedir a medida - sem sucesso.
A diretiva publicada pela Comissão Europeia obrigará Israel a incluir uma cláusula em seus contratos especificando que seus acordos não são válidos para a Cisjordânia e para Jerusalém Oriental, por não se tratar de parte do território. As autoridades israelenses, porém, indicam não ter a intenção de ceder neste ponto, o que interromperia a cooperação com o bloco em áreas como economia, ciência e esportes.
De acordo com membros da União Europeia ouvidos pela mídia local, a nova regra é consequência de uma decisão tomada em dezembro por chanceleres europeus, afirmando que todos os acordos com Israel devem explicitamente indicar que os termos não são aplicáveis aos territórios ocupados em 1967.
A delegação europeia em Israel afirma que "as diretrizes estão em conformidade com a posição da União Europeia de que os assentamentos israelenses são ilegais de acordo com a legislação internacional".
Uri Ariel, ministro de Habitação e Construção, notável por seus esforços favoráveis ao crescimento dos assentamentos israelenses, afirmou que a decisão europeia "é marcada pelo racismo e discriminação remanescentes dos boicotes contra judeus".

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