São Paulo - O chefe da diplomacia da União Européia (UE), Javier Solana, entregou ontem ao Irã uma proposta elaborada por UE, Estados Unidos, Rússia e China, que tenta persuadir o país persa a renunciar a seu programa nuclear.
Ali Lariyani, secretário do Conselho Supremo da Segurança Nacional do Irã, disse que examinará cuidadosamente a proposta internacional, mas não especificou data imediata para uma resposta do governo iraniano. A primeira avaliação do Irã em relação à proposta é de que ela é positiva, porém ambígua. Mesmo assim Teerã prometeu estudar o plano.
Os detalhes da proposta não foram divulgados, mas se sabe que representantes dos membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU EUA, França, Reino Unido, Rússia e China (com direito a veto) e Alemanha criaram um plano que ofereceria desde garantias de que o Irã não será atacado militarmente como oferta de combustível e tecnologia para a construção de centrais nucleares.
O governo americano se diz convencido de que o Irã pretende construir armas nucleares com o enriquecimento de urânio processo que gera combustível para usinas nucleares (energia) também pode ser usado para a criação de bombas atômicas. O Irã nega, alegando que seu programa tem fins pacíficos.
O encontro de Lariyani e Solana durou cerca de duas horas. De acordo com informações de fontes diplomáticas, é possível que Solana também se reúna com o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, mas ainda não há confirmação oficial deste encontro.
A relação do Irã com países do Ocidente, sobretudo com os Estados Unidos, estão cada vez mais tensas. Recentemente Ahmadinejad sinalizou aceitar uma proposta de diálogo direto oferecida pelos Estados Unidos (os dois países não mantêm relações diplomáticas desde 1979), mas declarações posteriores indicavam opiniões conflitantes dentro do governo iraniano.
Ali Khamenei, líder supremo e autoridade máxima do Irã, cuja relação com o presidente Ahmadinejad não é tão próxima, já anunciou mais de uma vez que seu país não pode renunciar a seus avanços científicos (referindo-se a pesquisas na área nuclear) e ameaçou interromper o fornecimento de petróleo aos EUA, em caso de ataque. O Irã exporta aproximadamente 2,5 milhões de barris de petróleo dos 4 milhões que produz diariamente.
O presidente americano, George W. Bush, considerou ''positiva'' ontem a reação inicial dos iranianos à proposta de negociação. ''Veremos se os iranianos levam nossa oferta seriamente. São eles que devem tomar a decisão'', disse o presidente na cidade fronteiriça de Laredo, onde estava para falar sobre migração.
''Já disse que os Estados Unidos se sentarão à mesa com eles enquanto estiverem dispostos a suspender o enriquecimento de urânio de maneira verificável (...) Portanto, me parece uma resposta positiva''.

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