São Paulo - A União Europeia informou ontem que considera legal revender à Ucrânia o gás russo comprado pelo bloco, contornando assim o corte de abastecimento que a empresa estatal russa Gazprom impôs aos ucranianos na segunda-feira. A inversão do fluxo de gás nos dutos que saem da Rússia e atravessam a Ucrânia para abastecer a Europa já aconteceu em 2009, quando ocorreu outra crise energética. Cerca de 15% do gás consumido no continente chega por meio da Ucrânia. A Gazprom, no entanto, defende que a revenda de gás é ilegal.
Nesta terça, um dos gasodutos que abastecem a Europa, localizado na região ucraniana de Poltava, sofreu uma explosão. Não houve vítimas, segundo o Ministério do Interior da Ucrânia. O incidente não afetou o trânsito de gás para a Europa, que passou a ser feito por um duto alternativo. O ministro do Interior da Ucrânia, Arsen Avakov, diz que o caso está sendo tratado como possível "ato de terrorismo".

DISPUTA
Desde que o presidente pró-russo Viktor Yanukovitch foi derrubado e substituído por um governo pró-ocidente, Moscou tenta aumentar o preço do gás vendido à Ucrânia. Na segunda, o governo de Kiev não cumpriu o prazo para pagar uma dívida que tinha com a Gazprom de US$ 1,95 bilhão (R$ 4,35 bilhões) pelo gás já exportado. A Rússia diz que agora a Ucrânia só terá o combustível que pagar adiantado. O preço subiu de US$ 268 (R$ 600) por mil metros cúbicos para US$ 485 (R$ 1.100) em abril. Moscou recentemente apresentou uma nova proposta de US$ 385 (R$ 870), mas a Ucrânia insiste em um preço menor.
Na segunda, a Naftogaz, estatal ucraniana, declarou que empresas europeias estariam dispostas a fornecer gás para a Ucrânia por US$ 320 (R$ 720) por mil metros cúbicos. A Ucrânia consome 50 bilhões de metros cúbicos de gás por ano. Desses, 20 bilhões são produzidos no país e 30 bilhões importados da Rússia.

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