São Paulo - A União Europeia (UE) discutiria ontem uma nova série de sanções à Rússia, dias depois que a Otan acusou o país de ter enviado tropas para o leste da Ucrânia, onde separatistas disputam terreno com as autoridades locais. Segundo a aliança militar ocidental, que é aliada de Kiev, pelo menos mil soldados de Moscou ajudaram os rebeldes a abrir um novo espaço de confrontos na cidade de Novoazovsk, na região de Donetsk. As autoridades russas negam. O vice-chanceler alemão, Sigmar Gabriel, confirmou que os 28 países do bloco concordaram em aplicar as punições.
Para o presidente francês, François Hollande, "não há dúvidas" de que as punições seriam aprovadas. A chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, fez um novo pedido para que a Rússia retire soldados e armamentos do país vizinho. Enquanto isso, o presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso, defendeu uma solução política para o conflito "antes que atinja um ponto sem volta".
Ele se reuniu com o presidente ucraniano, Petro Poroshenko, que disse que seu país é "vítima de uma agressão militar e terrorista envolvendo centenas de tanques e milhares de soldados estrangeiros". As discussões para a nova rodada de sanções à Rússia começaram na quarta-feira passada, quando o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, conversou com a chanceler alemã, Angela Merkel, sobre a necessidade de apertar o cerco a Moscou. Na sexta-feira, Alemanha, França, Suécia e Holanda consideraram a invasão inaceitável e que deve haver uma resposta. O presidente da Polônia, Bronis Komorowski, disse que a região tem que escolher "entre uma Europa cossaca ou democrática". Desde a anexação da região autônoma ucraniana da Crimeia, em março, a Rússia é alvo de sanções americanas e europeias. Em resposta, o Kremlin impôs medidas contra dirigentes ocidentais e suspendeu as importações de produtos agrícolas dos Estados Unidos e da União Europeia.
Na sexta-feira, o Exército ucraniano voltou a acusar a Rússia de ter enviado tanques ao país, desta vez à cidade de Lugansk, que é alvo de uma ofensiva das tropas de Kiev contra os separatistas que provocou uma grave crise humanitária. O comando militar ucraniano também afirma que paramilitares de extrema direita aliados de Kiev conseguiram deixar o cerco de separatistas na cidade de Donetsk. Na sexta, o presidente russo, Vladimir Putin, havia pedido que os separatistas soltassem os combatentes aliados de Kiev. Em algumas regiões, a solicitação foi atendida em algumas horas, mas os rebeldes ficaram com as armas dos rivais.

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