A comunidade internacional ofereceu fundos adicionais para os programas sociais e econômicos do Plano Colômbia, exortou as partes em conflito a um cessar-fogo e expressou sua preocupação em relação aos direitos humanos.
A União Européia, bem como países europeus individualmente, Japão e Canadá darão US$ 280,2 milhões para investimentos que não incluem nenhuma atividade do tipo militar.
‘‘A posição da UE é a de apoiar a Colômbia em seu processo de paz’’, disse Reanud Vignal, porta-voz da UE, ao concluir anteontem à noite a segunda reunião do Grupo de Apoio ao processo de paz colombiano, do qual participam delegados de países europeus, Argentina, Chile, México e Venezuela, Japão e Canadá.
Os países latino-americanos que assistiram à reunião anunciaram ajuda ao Plano Colômbia, através de assistência técnica, nos programas de substituição de plantações ilegais e projetos específicos de desenvolvimento econômico e social.
No total já foi obtida, incluídos os fundos anunciados na primeira reunião do Grupo de Apoio, a quantia de US$ 1,15 bilhão em financiamentos externos. Nesse montante também estão incluídos recursos dos organismos multilaterais de crédito.
Os EUA alocaram US$ 1,3 bilhão para o Plano Colômbia; desse total, US$ 230 milhões são para planos sociais e econômicos e o restante para apoiar o esforço militar e policial para erradicar 120 mil hectares de coca.
O Plano Colômbia é um programa de US$ 7,5 bilhões cujo objetivo é acabar com o problema dos narcóticos no país num prazo de cinco anos e solucionar os problemas sociais e econômicos determinados pelo conflito armado com a guerrilha e o narcotráfico.
O grupo de 25 países, atendendo a um pedido do governo da Colômbia, exortou ‘‘os diferentes atores do conflito a decretarem um cessar-fogo e cessarem as hostilidades, a fim de facilitar avanços qualitativos no processo de paz e, ao mesmo tempo, garantir a defesa e o pleno respeito aos direitos humanos’’. O porta-voz da UE disse que a situação dos direitos humanos na Colômbia ‘‘não é satisfatória’’ e pediu que sejam redobrados os esforços em sua melhoria.
Os EUA e países europeus condicionaram a ajuda ao Plano Colômbia ao respeito aos direitos humanos por parte das autoridades estatais, especialmente das forças militares e policiais.
O prêmio Nobel da Paz 1980, o argentino Adolfo Pérez Esquivel, criticou ontem, em Roma, o Plano Colômbia, que classificou de ‘‘plano para uma guerra regional’’.
Pérez Esquivel se encontra em Roma para testemunhar no processo realizado à revelia contra sete militares argentinos envolvidos no desaparecimento e morte de oito ítalo-argentinos. ‘‘Querem nos levar a uma guerra regional, onde os Estados Unidos não apenas colocam bases militares na América Latina, - como acontece em Manta, Equador -, como também quer utilizar os exércitos latino-americanos com o pretexto do narcotráfico e subversão’’, afirmou.
‘‘O conflito na Colômbia é grave e envolve todo o continente. O governo argentino acaba de firmar um convênio secreto e de ordem militar com os Estados Unidos. Quatrocentos ‘marines’ estão dando treinamento na província de Córdoba a tropas argentinas’’, assegurou o Nobel, acrescentando que apenas dois países atualmente se opõem a essa política: o Brasil e a Venezuela.

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