Bruxelas - A União Européia (UE) anunciou ontem não ''ter entrado em pânico'' por causa do foco de gripe aviária detectado no bloco, e se declarou confiante de que as medidas adotadas pelas autoridades britânicas surtirão efeito no controle da propagação da doença.
''Não há pânico pelo risco de uma grande propagação. Acreditamos que as medidas implementadas funcionam bem'', afirmou Michael Mann, porta-voz da comissária européia para a Agricultura, Marian Fischer Boel, no momento em que o Reino Unido sacrifica milhares de perus de uma granja infectada com o vírus H5N1 da gripe das aves.
''Estabelecemos regras precisas a seguir e acreditamos que esta é a melhor maneira para lutar contra a gripe das aves'', prosseguiu o porta-voz, recordando o sistema implementado pela UE depois da crise de 2006, que consistia no sacrifício das aves do foco detectado, assim como seu isolamento e proibição do transporte de animais num determinado raio.
No campo, além da incineração de milhares de perus no leste da Inglaterra, as autoridades multiplicaram os apelos à população para não se alarmar. O abate de 160 mil perus começou nesse domingo na granja da empresa alimentícia Bernard Matthews, situada em Holton, no condado de Suffolk, onde a presença do foco foi confirmada no sábado.
A empresa, cujos funcionários receberam medicamentos contra o vírus, calcula que suas perdas se elevarão a centenas de milhares de libras e a indústria avícola britânica teme as repercussões do aparecimento do vírus na Inglaterra.
Um porta-voz da companhia destacou em nota que ''não há risco para os consumidores''. Ao mesmo tempo, as autoridades aumentaram as restrições no transporte de aves de criação para evitar a propagação da doença.
A cepa H5N1 da gripe aviária é mortal para as aves e potencialmente transmissível e letal para o homem, razão pela qual é considerada muito perigosa. Até o momento, causou mais 165 mortes humanas e o sacrifício de pelo menos 150 milhões de aves em todo o mundo desde seu aparecimento, em 2003. A grande maioria dos casos registrados até agora foi detectada na Ásia, mas no início de 2006, a doença viral começou a aparecer na Europa, no Oriente Médio e na África. Esta é a segunda vez em menos de um ano que a Grã-Bretanha se vê afetada pela gripe das aves.

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