A União Européia (UE) reafirmou ontem seu objetivo da entrada em vigor do protocolo de Kioto sobre a redução de gases que provocam o aquecimento da Terra, eventualmente sem os Estados Unidos, embora pretenda continuar o diálogo com Washington.
Reunidos ontem em Kiruna, no Norte da Suécia, as autoridades européias do Meio Ambiente analisaram os passos a seguir depois que os Estados Unidos anunciaram sua retirada do protocolo, na véspera de uma missão da ‘‘troika’’ européia a Washington.
O protocolo de Kioto ‘‘ainda está vivo e nenhum país individualmente tem o direito de declarar que um acordo multilateral está morto’’, disse o ministro sueco Kjell Larsson, que presidiu a reunião.
No começo de abril, membros da UE vão para Washington para tentar convencer o presidente George W. Bush a mudar sua posição de não ratificar o protocolo de Kioto sobre a redução dos gases de efeito estufa. A ‘‘troika’’ européia será formada pelo ministro sueco do meio ambiente Kjell Larsson, um representante da futura presidência belga da UE e a comissária européia do meio ambiente Margot Wallstrm.
Bilhões de dólares estão em jogo na tempestade diplomática provocada pela decisão do presidente George Bush de enterrar o Protocolo de Kyoto sobre a redução de gás carbônico que reaquece a atmosfera.
A decisão coloca o problema da ratificação e entrada em vigor do acordo internacional e também pode criar distorções de concorrência em benefício dos industriais americanos, segundo especialistas europeus.
O Protocolo, concluído em 1997 sob o patrocínio da ONU, foi assinado por 84 países e não foi ratificado por nenhum dos 38 países ocidentais e leste-europeus, com exceção da Romênia.
Impõe reduzir 5,2% em média as emissões de CO2 e cinco outros gases nocivos em 2010 em relação a 1990.
Durante mais de três anos os europeus e os americanos se enfrentaram para definir as regras de aplicação do Protocolo.
O Terceiro Mundo assiste como espectador a esta disputa em torno, principalmente, dos impostos aplicáveis às energias poluidoras que falseiam as condições da concorrência no futuro mercado mundial do CO2, uma bolsa que deve pesar de 20 bilhões a 30 bilhões de dólares por ano a partir de 2010.
Este mercado permitirá aos países com obrigações cifradas trocar excedentes e déficits de emissões de gases, segundo sua maior ou menor capacidade poluidora.
Também permitirá aos países industriais obterem um prolongamento de poluição ajudando os países em transição e em desenvolvimento a se equiparem com tecnologias próprias.
O mercado dos gases ignora as fronteiras: se Canadá está autorizado a poluir mais porque ajudou a China a poluir menos ou se compra uma permissão a Portugal que reduziu seus gases acima do previsto, o balanço global dos gases será o mesmo.
No plano financeiro, a idéia é de que a redução das emissões de CO2 é muito menos cara nos países em desenvolvimento do que nos países altamente industrializados, onde o rendimento energético já é muito elevado.

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