São Paulo - A União Europeia aprovou ontem sanções unilaterais contra o ditador líbio, Muamar Kadhafi, incluindo embargo de armas, congelamento de seus bens e proibição de viajar aos países do bloco. A decisão foi tomada pelos embaixadores europeus que se reuniram para discutir a crise na nação africana. Apesar do avanço da oposição, que já controla a parte leste do país, o ditador se recusa a deixar o poder e atribuiu os protestos à rede terrorista Al Qaeda.
As sanções serão válidas também para 25 familiares e nomes ligados ao regime Kadhafi. O embargo de vendas inclui não apenas armas como equipamento, como gás lacrimogêneo e escudos antidistúrbios, que possa ser usado para repressão dos manifestantes. Todas as sanções devem entrar em vigor nos próximos dias, assim que forem publicadas no diário oficial da União Europeia.
Essas sanções complementam a decisão do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, que adotou uma resolução por consenso para enviar uma missão para investigar as violações na Líbia e recomendou que esse país seja suspenso da entidade em represália à dura repressão dos protestos da oposição. Ao menos 300 pessoas morreram nos confrontos entre forças leais ao ditador Muamar Kadafi e manifestantes da oposição.
O órgão decidiu ''enviar urgentemente uma comissão de inquérito independente e internacional [...] para investigar todas as supostas violações de direitos humanos na Líbia''. O conselho recomendou ainda a suspensão do país árabe do conselho da ONU, ''tendo em vista as flagrantes e sistemáticas violações de direitos humanos pelas autoridades líbias''.
Em seu discurso, a embaixadora dos Estados Unidos, Eileen Chamberlain Donahoe, disse que caso a Líbia continue no CDH, o órgão perderá credibilidade e terá seu mandato e seus objetivos questionados.
O texto, elaborado por França e Reino Unido e distribuído aos membros do Conselho de Segurança da ONU ontem, também pede um embargo de armas à Líbia, assim como a proibição de viagens e congelamento de bens para os principais líderes do país.
A missão da Líbia junto à ONU em Genebra anunciou hoje sua deserção do regime do ditador Kadhafi, durante reunião do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, que se prepara para se pronunciar sobre a suspensão de Trípoli desta instância internacional.
''Nós, da missão líbia, decidimos categoricamente representar o povo líbio em sua totalidade'', explicou um diplomata que preferiu não ter o nome divulgado por temer represálias a sua família, que segue na Líbia. ''Vamos servir de representantes da população nesta instância augusta'', afirmou ele aos membros do Conselho, reunido para uma sessão extraordinária dedicada à Líbia. O anúncio foi muito aplaudido, após uma manhã de debates durante à qual a cadeira líbia permaneceu vazia.

mockup