Ucrânia teve um milhão de votos falsificados
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sexta-feira, 03 de dezembro de 2004
Folhapress 
São Paulo - Ruslan Knyazevych, membro da Comissão Central Eleitoral ucraniana, afirmou ontem que o resultado do segundo turno da eleição à Presidência da Ucrânia teve um milhão de votos falsificados, segundo informações da agência de notícias russa Interfax.
Knyazevych fez esta declaração ao apresentar-se para a Suprema Corte ucraniana, que investiga pelo quarto dia as acusações de fraudes feitas por Mykola Katerinchuk, partidário do líder oposicionista Viktor Yushchenko, 50 anos. A eleição foi vencida pelo primeiro-ministro ucraniano e pró-russo, Viktor Yanukovich, 54, por uma diferença de 871.402 votos.
As acusações paralisaram o país desde o dia 21 de novembro, quando foi realizada a eleição. Yushchenko afirmou ontem que a data de uma nova eleição presidencial pode ser declarada dentro de quatro ou cinco dias. ''A Suprema Corte necessitará um ou dois dias para chegar a uma decisão (sobre a validade da votação), depois de um ou dois dias para a Comissão Eleitoral Central e então um dia a mais para que o Parlamento decida a data da eleição'', afirmou.
O presidente ucraniano, Leonid Kuchma, 66, reuniu-se ontem com o presidente russo, Vladimir Putin, na tentativa de encontrar uma solução à crise na Ucrânia. Putin criticou a posição de Yushchenko, e disse estar ''surpreso'' com a exigência do líder da oposição.
''Uma nova votação poderá ser feita pela terceira, quarta, 25 vez, até que um lado chegue ao resultado desejado'', disse Putin, durante seu encontro com Kuchma, mostrado pelas redes de TV russas. Kuchma se declarou favorável a uma nova eleição, e não só a realização de um novo segundo turno.
Putin foi o líder internacional que deu o maior apoio a Yanukovich. ''Não estamos indiferentes ao que acontece lá (na Ucrânia)'', disse o presidente russo. O presidente ucraniano culpou a oposição pela crise na Ucrânia, dizendo que ''a Ucrânia que existia antes da eleição não existe mais. Eles (a oposição) dividiram-na.''
O presidente americano, George W. Bush, disse que se a eleição for realizada novamente na Ucrânia, deverá ser ''aberta e limpa'', além de ser livre da influência internacional.
O presidente também disse que os Estados Unidos monitoram a crise no país e que vão continuar envolvidos no processo. Ele também pediu para que fosse encontrada uma solução pacífica para a crise. Nem os EUA nem a União Européia reconheceram o resultado da eleição ucraniana.


