São Paulo - O governo da Ucrânia e os separatistas pró-Rússia chegaram ontem a um acordo para o cessar-fogo nos combates no Leste do País. A trégua está prevista para começar à zero hora de domingo (19 horas de sábado em Brasília).
Embora tenham chegado ao acordo para a suspensão dos combates, nem as autoridades de Kiev nem os rebeldes deram sinais de que pretendem dar fim ao conflito que, segundo a ONU, deixou cerca de 5,3 mil mortos desde abril.
O pacto foi selado após 15 horas de reuniões em Minsk, capital de Belarus, entre o presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, e da Rússia, Vladimir Putin, além de representantes das regiões de Lugansk e Donetsk. Também participaram da reunião a chanceler alemã, Angela Merkel, e o presidente francês, François Hollande, que viam o encontro como a última chance de uma solução pacífica para o conflito.
Além da trégua, os dois lados concordaram com a retirada de tropas e da artilharia pesada em um corredor entre 50 e 70 km nas áreas controladas pelo Exército ucraniano e pelos separatistas, a ser iniciada dois dias depois do início do cessar-fogo.
Eles também permitirão a libertação nos próximos 19 dias de todos os capturados pelos separatistas durante o conflito e a Ucrânia terá o controle de toda a fronteira com a Rússia, hoje dividida com os rebeldes, até o fim deste ano.
O acordo será monitorado periodicamente em reuniões entre Poroshenko, Putin, Merkel e Hollande. Apesar da suspensão dos combates, ainda foram mantidas divergências entre Rússia, Ucrânia e os separatistas, o que tornou a negociação tensa.
A divisão entre as duas partes ficou evidente na entrevista coletiva após o encontro. O líder russo disse que a Ucrânia deveria dar mais autonomia às regiões de Donetsk e Lugansk, o que foi rejeitado pelo mandatário ucraniano. Por outro lado, Poroshenko disse que foi acertado um compromisso para a retirada de tropas estrangeiras do País, em alusão à Rússia. Moscou nega que tenha enviado soldados ao Leste ucraniano, embora haja provas da presença militar russa.
Putin ainda criticou a insistência de Poroshenko em não dar detalhes sobre os combates em Debaltseve, cidade controlada pelo governo e que há duas semanas enfrenta uma ofensiva dos separatistas.

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