Frustrada com o tratamento que vem recebendo da União Européia, a Turquia busca aumentar seu leque de aliados no cenário internacional para obter mais peso diplomático e reunir mais trunfos na luta para ser admitida como membro pleno do bloco europeu. A visita do ministro das Relações Exteriores turco, Ismail Cem, ao Brasil é parte dessa estratégia. Ele chega ao país na próxima semana e vai também para Argentina e Chile. ‘‘Eu acredito que, independentemente de a relação com a UE ser boa ou ruim, ter um bom relacionamento com a América Latina será um fato que afetará essas relações, vai nos ajudar no relacionamento com a UE’’, disse.
O chanceler afirma que o país não está buscando alternativas ao relacionamento com a UE, mas relações complementares que ampliem seu espectro de influência no cenário internacional. As relações da Turquia com a UE estão abaladas desde dezembro do ano passado, quando o país teve rejeitada sua candidatura a membro pleno da aliança européia.
Entre os principais motivos de choque estão a falta de solução para o problema dos guerrilheiros curdos que lutam pelo estabelecimento de um Estado independente no sudeste do país, a situação de direitos humanos, ainda considerada precária, e a questão de Chipre, país dividido em áreas de influência turca e grega.
Em resposta, o governo turco rompeu o diálogo com a UE nessas questões. A liberação de verbas do bloco para a Turquia foi congelada. No momento, o relacionamento entre as duas partes limita-se ao acordo de união alfandegária, firmado em 1995.
‘‘É verdade que a Turquia está desapontada com o relacionamento com a UE’’, diz Mustafa Aksin, secretário-geral do Conselho de Negócios da Associação de Cooperação Econômica do Mar Negro. ‘‘Temos problemas econômicos, inflação alta, nossas instituições democráticas estão em desenvolvimento, mas ainda não estão de acordo com os critérios europeus’’.

mockup