Imagem ilustrativa da imagem Turquia promove demissão em massa após golpe
| Foto: Adem Altan/AFP
"Esta nação tira sua força do povo, não dos tanques", declarou o primeiro-ministro Binali Yildirim, em discurso no Parlamento



São Paulo - O governo turco do presidente Recep Tayyip Erdogan ampliou o expurgo contra pessoas que acusa de terem envolvimento com o grupo que planejou a tentativa fracassada de golpe de Estado na última sexta-feira (15). Milhares de funcionários públicos foram demitidos de várias partes do governo em todo o país. A iniciativa visa minar a suposta influência do opositor exilado Fethullah Gülen, suposto mentor da tentativa de derrubada do governo. Ao menos 25 mil funcionários, sobretudo policiais e educadores, foram suspensos ou destituídos de suas funções em todo o país.
A tentativa de golpe deixou mais de 200 mortos. Antes dessa onda de demissões, o expurgo de acusados de envolvimento com o golpe incluiu a prisão de 9 mil pessoas, incluindo militares, juízes, promotores e religiosos.
O presidente dois Estados Unidos, Barack Obama, conversou nesta terça-feira (19) com Erdogan. Ele ofereceu assistência dos EUA na investigação sobre a tentativa de golpe e pediu que o governo turco não exagere na busca pelos responsáveis. Segundo o porta-voz da Casa Branca, os dois presidentes discutiram o pedido de extradição do opositor Gülen, que Erdogan acusa de ser responsável pelo golpe. Os Estados Unidos devem analisar o pedido enviado pela Turquia.
Além das declarações de Erdogan, o premiê turco também atacou o grupo que acusa de planejar o golpe. "Vamos bani-los de tal forma que (...) nenhum outro traidor, nenhuma organização terrorista clandestina ou grupo terrorista separatista terá a audácia de trair a Turquia", declarou o primeiro-ministro Binali Yildirim, em referência aos partidários de Fethullah Gülen. Mais cedo havia buscado visivelmente tranquilizar a comunidade internacional, ao negar que exista um "espírito de vingança" contra os golpistas, já que "uma coisa assim é absolutamente inaceitável no Estado de direito". "Esta nação tira sua força do povo, não dos tanques", insistiu Yildirim no Parlamento.

LICENÇAS
O órgão que fiscaliza emissoras na Turquia vai cancelar as licenças de rádios e TV que tiverem ligação com o grupo apontado pelo governo como responsável pela tentativa de golpe, informou a agência estatal de notícias Anadolu.
Segundo a agência, o Conselho Supremo de Rádio e Televisão aprovou, por unanimidade, a revogação das permissões para "qualquer emissora de rádio ou televisão ligada ou que apoie" o grupo relacionado ao clérigo Fetullah Gulen.

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