São Paulo - A Turquia posicionou mais soldados na fronteira com o Iraque ontem, mantendo a pressão sobre o governo de Bagdá, que prometeu conter as atividades dos rebeldes do PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), que usam a região como base.
  O governo turco destacou cerca de 100 mil soldados, além de tanques, caças F-16, helicópteros de guerra e artilharia pesada na fronteira, como preparação para uma incursão.
  Anteontem, o país alertou o Iraque de que uma incursão na região é ‘‘iminente’’, e exigiu que o governo de Bagdá tome medidas concretas contra a ação dos rebeldes no país.
  Ancara aponta o PKK como responsável por 30 mil mortes desde que o grupo lançou sua campanha armada por um Estado independente no sudeste da Turquia, em 1984.
  Os Estados Unidos e o Iraque temem que uma ampla operação militar na região desestabilize a área, considerada a única estável do país.
  No entanto, o governo do premiê Tayyip Erdogan está sob forte pressão para tomar medidas rígidas contra os curdos, depois que confrontos entre rebeldes e o Exército mataram 12 soldados turcos no último domingo.
  Ontem, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, disse ao Comitê de Relações Exteriores do Congresso que disse a Erdogan que considerava a situação ‘‘grave’’. ‘‘O Iraque não deve ser um local de onde o terrorismo possa atingir a Turquia’’, disse ela.
  O presidente iraquiano Jalal Talabani desmentiu ontem ter oferecido às autoridades turcas a extradição de chefes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) refugiados no norte do Iraque. ‘‘Declaramos em várias ocasiões que os líders do PKK não residiam em cidades do Iraque e que viviam com milhares de combatentes na montanha de Qandil. É impossível detê-los e entregá-los à Turquia’’, declarou o presidente em comunicado divulgado em Bagdá por sua assessoria.

mockup