Socorristas buscam sobreviventes. Ao contrário do terremoto de agosto, que matou 20 mil, imprensa elogia rapidez das autoridades
France PresseDramaCriança é resgatada em Duzce, epicentro do terremoto. Cúpula para a Segurança e Cooperação na Europa, a partir de quinta em Istambul, está confirmada

France Press
De Duzce, Turquia
As equipes de resgate turcas trabalhavam ontem, às pressas, para resgatar entre os escombros os sobreviventes do intenso terremoto que atingiu, na sexta-feira, o Noroeste do país, o segundo em menos de três meses, matando pelo menos 320 pessoas e deixando mais de 1,6 mil feridos, segundo o último balanço oficial provisório.
O terremoto, de 7,2 graus na escala Richter, aconteceu às 19 horas (15h de Brasília) e seu balanço definitivo deve ser bastante inferior ao de 17 de agosto, de 7,4 graus, que surpreendeu os habitantes em pleno sono e matou 20 mil pessoas.
O governo turco reagiu com rapidez e enviou ao local ambulâncias, médicos e enfermeiros, hospitais de campanha, geradores e medicamentos, segundo um comunicado do Centro de Crises do Governo, reaberto imediatamente depois da catástrofe.
Até ontem no início da tarde, 14 pessoas foram resgatadas entre os escombros dos prédios em Duzce, epicentro do terremoto, e em Kaynasli, a 15 km a Leste, informaram as equipes de socorro.
Em Kaynasli, os bombeiros turcos e húngaros resgataram 12 pessoas de um prédio de três andares, onde também funcionava um café, que reunia de 30 a 40 pessoas, todas acompanhando a transmissão da partida de futebol entre Turquia e Polônia, segundo a agência Anatólia.
Em Duzce, foram retirados dois homens de um edifício de 5 andares, onde também podem estar soterradas cerca de 60 pessoas, comentaram vários testemunhas.
Ao contrário do que ocorreu no terremoto de agosto, a imprensa turca elogiava, ontem, a rapidez das equipes de socorro e o trabalho do governo e dos militares diante da tragédia.
‘‘Desta vez não se cometeram erros’’, resumia o jornal ‘‘Milliyet’’.
Vários soldados se encontravam entre os primeiros socorristas a chegar ao local da tragédia, constatou a AFP.
Mas desta vez, apesar de a eletricidade ter sido cortada, a rede telefônica não ficou completamente muda e a zona atingida não ficou ilhada do resto do mundo, como aconteceu em agosto, facilitando os trabalhos de resgate.
Ainda assim, as autoridades tomaram a precaução de fechar as estradas, para evitar engarrafamentos que pudessem atrapalhar as operações de socorro.
Diversos viadutos ficaram danificados e a estrada Bolu-Duzce desmoronou em alguns trechos. Cerca de 150 prédios ficaram destruídos.
As imagens aéreas da cadeia de televisão NTV, na manhã de ontem, mostravam graves danos e dezenas de imóveis destruídos. Em Duzce, o velho hospital desmoronou, enquanto que os edifícios mais novos ficaram rachados.
A Turquia solicitou ajuda a vários países: Grécia, Argélia, Israel, Bulgária, Ucrânia, Romênia, República Tcheca, França, Suíça, Alemanha, Itália e Dinamarca.
O epicentro do terremoto foi localizado a menos de 300 km a Leste de Istambul, onde deve ser inaugurada, na quinta-feira, uma cúpula da Organização para a Segurança e Cooperação na Europa (OSCE), cuja realização está garantida, segundo o presidente turco Suleyman Demirel.

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