Associated Press
De Ancara
Cinco meses após a captura, no Quênia, do líder curdo Abdullah Ocalan, o governo da Turquia informou ontem ter prendido outro dirigente rebelde no exterior.
O Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, pela sigla em curdo) tentou diminuir a importância da prisão de Cevat Soysal e insistiu que ele não foi capturado, mas entregue às autoridades turcas por intermédio da Moldávia. Mas Ocalan declarou no começo do ano, durante interrogatório, que Soysal era o encarregado de treinar rebeldes no exterior.
Autoridades alemãs confirmaram a prisão de Soysal, ocorrida há cinco dias na Moldávia. O dirigente recebeu asilo político na Alemanha.
As primeiras imagens de um encapuzado Soysal, vestindo uma blusa marrom florida e sendo conduzido a um pequeno avião por dois funcionários mascarados do serviço de inteligência remetiam à captura de Ocalan em fevereiro.
‘‘Um homem que dizem ser muito importante (dentro do grupo rebelde curdo) foi preso em um país europeu e trazido à Turquia’’, disse a jornalistas o primeiro-ministro Bulent Ecevit.
A agência nacional de inteligência informou que Soysal estava intensamente engajado em treinar militantes do PKK e em organizar atividades pró-PKK na Europa e no Oriente Médio. Ainda segundo o comunicado, ele também dirigia instituições legais em favor dos curdos na Turquia.
‘‘O treinamento no exterior, em especial na Romênia, é dirigido por Cevat Soysal’’, disse Ocalan ao ser interrogado. Autoridades turcas não forneceram detalhes sobre a prisão de Soysal.
Uma fotografia tirada de um passaporte alemão, distribuída pela agência de inteligência, indicava que Soysal era um homem de 37 anos residente em Moenchengladbach, Alemanha.
As notícias sobre a captura vieram horas antes de o ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer, chegar à Turquia. Fischer não fez nenhuma declaração sobre o assunto após seu desembarque.
O grupo rebelde informou que Soysal ficou preso por quase uma semana na Moldávia e não era o dirigente que a Turquia imaginava que ele fosse. ‘‘É claro que eles tentarão minimizar sua importância. Eles estão sofrendo golpe atrás de golpe’’, disse Umit Ozdag, um especialista sobre terrorismo e assuntos envolvendo o PKK na Universidade de Gazi, em Ancara.

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