São Paulo - A Turquia congelou ontem o comércio militar com Israel e o acusou de agir como ''criança mimada'' por rejeitar pedir desculpas pela morte de nove turcos numa ação contra um comboio de navios humanitários em 2010.
O governo turco também anunciou o reforço da presença de sua marinha de guerra no Mediterrâneo, gerando temores de escalada militar.
As manobras turcas, anunciadas pelo premiê Recep Tayyep Erdogan, acentuam a crise bilateral entre países tidos até pouco tempo atrás como aliados estratégicos. Os EUA se disseram ontem preocupados com a situação.
A crise eclodiu após a publicação, na quinta-feira, do relatório final da ONU sobre o ataque da Marinha israelense contra seis navios que pretendiam furar o bloqueio naval imposto por Israel à faixa de Gaza, território controlado pelo grupo islâmico radical Hamas desde 2007.
O esperado documento, divulgado após longas consultas bilaterais, conclui que o bloqueio a Gaza é justificado mas que Israel usou força ''excessiva'' e ''não razoável'' contra os tripulantes que levava mantimentos a Gaza.
No texto, a ONU incentiva Israel a emitir ''uma declaração adequada de pesar'' pelo ataque e estabelece indenização às famílias dos oito turcos e do americano de origem turca que morreram na ação.
Após a publicação do texto, a Turquia expulsou o embaixador do Estado judaico. Israel se recusa a pedir desculpas sob pretexto de que a ação foi em legítima defesa, já que o comboio visava romper um bloqueio a Gaza tido como crucial para manter o isolamento do Hamas.

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