Turistas são retirados de Machu Picchu
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domingo, 11 de abril de 2004
Agência Folha 
São Paulo - Cerca de 500 turistas foram retirados em helicópteros, depois de dois deslizamentos de lama e pedras nas proximidades de Machu Picchu, em Cuzco, no Peru. Os deslizamentos aconteceram ontem e mataram uma pessoa, deixaram dez desaparecidas e 1.500 turistas isolados. As informações foram transmitidas ontem pela Defesa Civil peruana e corrigem a versão que contabilizava seis mortos no acidente.
Juan Podestá, presidente da Defesa Civil, disse que foram estabelecidas duas pontes aéreas, com helicópteros da polícia e de uma empresa privada, para a retirada dos turistas para o distrito de Ollantaytambo. Dali, eles seriam transferidos até Cuzco.
Podestá também informou que os helicópteros continuarão com os trabalhos e que alguns ônibus se aproximarão o mais rápido possível de Machu Picchu para que os turistas que terão que andar mais de um quilômetro até chegar aos veículos pudessem ser levados a Cuzco.
Segundo o presidente regional de Cuzco, Carlos Cuaresma, três feridos do povoado de Águas Calientes, o mais atingido pelo deslizamento, foram hospitalizados na região e um quarto será levado para Lima.
Os deslizamentos, causados pelas fortes chuvas que caem na região, destruíram 15 casas do povoado de Águas Calientes na madrugada de sábado. Sessenta pessoas ficaram desabrigadas e as pedras e a lama que desceram das montanhas atingiram a estrada de ferro que leva à cidadela inca, deixando os turistas, peruanos e estrangeiros, isolados. Equipes de socorro continuam os trabalhos de buscas dos 10 desaparecidos.
Tragédia anunciada Em 2001, geólogos da Universidade de Kyoto, no Japão, alertaram que Machu Picchu poderia desmoronar a qualquer momento devido ao deslocamento de terras.
Na época, os pesquisadores que monitoraram a região detectaram que a encosta atrás da cidade se movia para baixo a uma velocidade de um centímetro por mês.
De acordo com os cientistas, a alta velocidade seria um estágio precursor de uma grande avalanche.
Machu Picchu e as trilhas incas do Peru recebem cerca de 2 mil visitantes por dia, e esse número cresce 6% a cada ano. Além disso, na última década, o número de moradores passou de 500 pessoas para mais de 4 mil habitantes.
Segundo a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura), o número de visitantes deveria ser reduzido para 800 pessoas. A organização recomenda ainda o uso de calçados leves para reduzir a pressão sobre as ruínas.
O Instituto Nacional de Cultura do Peru, que controla as trilhas incas, diz que Machu Picchu pode receber até 3 mil turistas por mês. Estudos feitos pelo órgão responsável pelo gerenciamento de Machu Picchu diz que o número de visitantes deve ser reduzido para 300 por dia, caso contrário, a trilha não sobreviverá.
No ano passado, um dos monumentos mais sagrados de Machu Picchu, o relógio de sol Intihuatana, foi quebrado durante a gravação de um comercial de cerveja.
Machu Picchu um conjunto de construções e templos localizado no alto de uma montanha de 2.300 metros foi redescoberto em 1911 pelo arqueólogo norte-americano Hiram Bingham.
O local era um importante centro religioso do império pré-colombiano Inca e foi abandonado durante a invasão espanhola.
Do século 8º ao século 15, os incas dominaram a região, que se estendia da Colômbia ao norte da Argentina. No coração do império inca, Machu Picchu foi provavelmente o santuário do imperador Pachacutec.


