Tumulto político atinge Grécia
Gilles Lapouge
Agência Estado
Os grupos de curdos enlouquecidos, que atacaram consulados e embaixadas da Grécia nas capitais européias, se acalmaram. Em contrapartida, o terremoto político, provocado pela captura do líder separatista curdo, Abdullah Ocalan (chefe do PKK - Partido dos Trabalhadores do Curdistão) e sua transferência para a Turquia, continua a abalar o Ocidente. As ondas de choque atingem a Grécia, depois a Turquia, Estados Unidos e Israel e, mais moderadamente, a União Européia.
A Grécia é o país que sofre a descarga mais violenta. Este país, inimigo juramentado da Turquia, está fazendo de tudo para não aparecer como cúmplice do governo de Ancara e como o país que entregou à justiça turca o chefe da rebelião curda.
É óbvio que a Grécia faça questão de desmentir ter participado de uma operação tão imbecil e antinatural como esta. Mas, supondo que se dê crédito aos seus protestos de inocência, então ela cessa de ser maquiavélica para tornar-se simplesmente estúpida.
Não estranha que a opinião pública e a imprensa gregas se lancem contra o governo de Costas Simitis em Atenas: Waterloo! Terça-feira Negra!, Ciclone - são alguns dos títulos dos jornais. Os artigos observam que a Grécia se encontra isolada, ridicularizada e inimiga do mundo inteiro. Os curdos a querem mal. Os turcos continuam a odiá-la. A comunidade internacional e a União Européia estão furiosas porque a Grécia as manteve na ignorância frente às manobras de Nairóbi. O povo grego está envergonhado. Foi humilhado!
Por outro lado, alguns gregos não acreditam que o governo de Atenas seja inocente. O jornal de direita Eleftheros Typos qualifica o primeiro-ministro Simitis de traidor. O jornal comunista Rizospastis explica que a Grécia entregou o chefe curdo ao inimigo figadal da Grécia, a Turquia, porque o governo de Simitis dá tudo para servir aos interesses da OTAN e dos norte-americanos na região.
Portanto, os norte-americanos são por sua vez citados, seja como acusados, seja como testemunhas. A Turquia mantêm relações estreitas com os Estados Unidos, porque é considerada essencial, mesmo depois da dissolução da União Soviética, para a ordem estratégica da região.





