Cerca de 16,5 milhões de peruanos foram às urnas neste domingo para eleger seu presidente e a jornada eleitoral foi marcada por incidentes violentos contra o candidato nacionalista Ollanta Humala, favorito para disputar para o segundo turno à frente de seus dois maiores adversários, a conservadora Lourdes Flores e o social-democrata Alan García.
  Se, como os analistas prevêem, nenhum dos candidatos obtiver 50% dos votos, os dois mais votados disputarão um segundo turno entre maio e junho.
  A normalidade do processo eleitoral se alterou quando Humala foi votar na Universidade Ricardo Palma, em Lima, onde foi recebido aos gritos de ‘‘assassino’’ por cerca de 300 manifestantes, que jogaram pedras, ovos e garrafas de plástico contra ele. Os partidários de Humala tentavam defender seu candidato com aplausos.
  Humala, que estava acompanhado de sua esposa, foi insultado pelos eleitores do bairro de classe média alta com violentas palavras de desprezo por seu apoio aos mestiços e indígenas, que são maioria no Peru.
  O candidato permaneceu 35 minutos no local para evitar maiores agressões. Um batalhão de cem policiais o ajudou a deixar a seção eleitoral e o chefe da missão da Organização de Estados Americanos (OEA), o ex-chanceler canadense Lloyd Axworthy, foi chamado de emergência e classificou o episódio como algo ‘‘bastante sério’’.
  Axworthy disse que Humala apresentou uma denúncia formal ante a missão da OEA, a qual será apresentada ante as autoridades eleitorais peruanas.
   ‘‘É um incidente muito sério, mas não significa que seja o padrão de conduta no resto do país, onde tudo transcorre com normalidade’’, acrescentou.
   Horas mais tarde, Humala responsabilizou o presidente Alejandro Toledo e a seus adversários Lourdes Flores e Alan García pelo fato, que classificou de ‘‘fascista’’.
  Em coletiva de imprensa, Humala assinalou que as agressões contra ele correspondiam a uma ação de uma ‘‘frente todos contra Humala’’.
   A agressão contra Humala fez com que Toledo pedisse calma e tolerância a seus compatriotas. As pesquisas assinalam que Humala, um militar reformado de 43 anos e representante do partido nacionalista União Pelo Peru, tem uma leve vantagem sobre García (56 anos), do partido APRA - centro-esquerda - e Flores (46 anos), da Aliança Direitista Unidade Nacional.
  Um total de 20 candidatos aspiram suceder o presidente Alejandro Toledo, cujo mandato de cinco anos termina em 28 de julho.
  Nessas eleições também serão escolhidos os 120 novos membros do Congresso Unicameral e os 5 representantes para o Parlamento Andino. Os primeiros resultados oficiais seriam divulgados com base em 20% dos votos apurados.

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