Túmulo de Cristo está ameaçado de desabar
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de outubro de 1998
James Drummond France Press 
O túmulo de Cristo, na basílica do Santo Sepulcro de Jerusalém, ameaça desabar por seu próprio peso, segundo afirmam especialistas britânicos.
O pequeno templo onde se encontra o túmulo, coroado por uma grande cúpula no centro da igreja, está apoiado por andaimes de aço instalados há mais de 50 anos, em 1947, pelas autoridades mandatárias britânicas da época.
Mas a fachada oriental do túmulo não tem apoio e começa a inclinar-se perigosamente, explicam Martin Biddle, professor de arqueologia medieval na Universidade de Oxford, e sua esposa Bertha.
Para a maioria dos cristãos, com exceção dos protestantes, nesse lugar, segundo o Evangelho, foi enterrado Jesus Cristo depois da crucificação e ali ressuscitou.
As paredes do pequeno templo - que datam de pelo menos 200 anos - são finas e suportam o enorme peso de duas cúpulas e uma balaustrada.
Toda esta carga empurra o revestimento para fora, afirmou Bertha Biddle, que tem estudado cada pedra da construção.
As diferentes comunidades cristãs que cuidam do Santo Sepulcro conhecem o problema e desejam vivamente a realização de obras, afirma Martin Biddle.
Mas os projetos de restauração do edifício, assim como do solo e das instalações elétricas da igreja, estão suspensos devido à ausência, por enfermidade, do patriarca grego ortodoxo de Jerusalém. Ele decide principalmente tudo o que se relaciona com a manutenção, junto com os representantes armênio e latino (católico romano) da igreja.
Mas Martin Biddle é otimista. Quando vi esta igreja pela primeira vez, em 1957, isto era sob a cúpula uma selva de enormes pontais de madeiras que sustentavam o edifício do interior, afirmou.
As colunas, os muros e a cúpula foram restaurados nos anos 70 e 80, adiantou Biddle.
A basílica sofreu muito desde sua construção, há 1.700 anos, por Constantino, o Grande.
O edículo atual foi construído pela comunidade greco-ortodoxa depois da destruição do anterior em 1808 em um incêndio, que provocou o desabamento da cúpula da basílica.
Cinco igrejas - copta, armênia, grega ortodoxa, latina e síria - controlam cada uma uma área diferente no interior da igreja, enquanto uma sexta, a etíope, ocupa o antigo claustro da extremidade leste.
Quando surge um desacordo, é a autoridade civil, Israel desde 1967, quem decide os reparos a serem efetuados.


