Tsunami volta a ameaçar a Indonésia
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segunda-feira, 26 de dezembro de 2005
Frédéric Garlan<br> France Presse 
A Indonésia pode sofrer a qualquer momento um novo terremoto de uma intensidade maior do que o que gerou a tsunami do dia 26 de dezembro de 2004 e deixou 131.000 mortos na costa oeste da grande ilha de Sumatra, segundo especialistas em terremotos. ''Todos os alarmes estão no vermelho vivo'', sublinha Paul Tapponnier, pesquisador do Instituto de Física do Globo de Paris (IPGP). A região ''vive uma sequência sísmica que ocorre a cada 800 ou 1.000 anos. Não sabemos muito sobre isto. E esta sequência ainda não terminou'', explica Tapponnier. ''Seria irresponsável se as autoridades da região ignorassem a possibilidade de um outro terremoto'', afirmou há alguns meses um outro eminente especialista, John McCloskey, da Universidade de Ulster.
Ontem, entre 7 e 10 horas (horário local) três tremores de magnitude 4,6, 4,7 e 5,4 na escala Richter provocaram pânico na ilha de Nias, na Indonésia, mas não deixaram vítimas, anunciou a Agência de Sismologia de Jacarta.
O terremoto de dezembro de 2004, o segundo mais potente já registrado cientificamente, com 9,3 graus na escala Richter, rasgou em 1.200 quilômetros a falha que corre paralelamente a Sumatra. No dia 28 de março de 2005, exatamente três meses após a tsunami, um novo tremor de terra, de magnitude 8,7, rompeu a mesma falha mais ao sul, ''num lugar onde já havia ocorrido um grande terremoto em 1861''. Ainda resta um pedaço da falha mais ao sul, a parte situada diante da metrópole de Padang e seus dois milhões de habitantes. Neste local, o último grande terremoto - provavelmente de magnitude 9, segundo Tapponier - remonta a 1833. Nesta região, a placa indiana desliza sob a placa asiática a uma ''grande velocidade geológica'' (5 cm por ano).
Toda a região está sob tensão: os corais, que normalmente ficam próximos à superfície do mar, foram atirados a um metro de profundidade pelas tensões acumuladas da placa terrestre. Os estudos feitos antes da tsunami, contabilizando o número e a intensidade dos terremotos em Sumatra, mostraram que ''esta área estava prestes a rachar'', com uma aceleração do número desses eventos precursores. Segundo os mesmos critérios, toda a falha até Java apresenta os mesmos sintomas. Como a falha é submarina e caracterizada por movimentos verticais, há grande probabilidade de um grande terremoto ser seguido por uma tsunami. ''Se tivermos uma magnitude 9 na parte sul de Sumatra, será assustador'', preocupa-se Tapponnier. ''É preciso que, ao menor tremor, as populações corram para os abrigos''. Para Sumatra, situada muito próxima à falha, um sistema de alerta para tsunami não serviria para grande coisa. ''Quando o alerta soar o terremoto já estará acontecendo. As pessoas terão 20 minutos para se protegerem''.


