Trump fecha portas dos EUA a europeus por um mês
Medida adotada "para proteger a saúde e bem-estar dos americanos" vale a partir desta sexta-feira; União Europeia desaprova decisão
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de março de 2020
Medida adotada "para proteger a saúde e bem-estar dos americanos" vale a partir desta sexta-feira; União Europeia desaprova decisão
France Presse 
Washington - Os europeus não poderão entrar nos Estados Unidos durante pelo menos um mês a partir de sexta-feira (13), uma medida surpreendente decretada pelo presidente Donald Trump que afundou as Bolsas e provocou críticas no Velho Continente, onde o número de mortes provocadas pelo novo coronavírus se aproxima de 1.000 e continua avançando, sobretudo na Itália, Espanha e França.

"Decidi adotar medidas fortes mas necessárias para proteger a saúde e o bem-estar de todos os americanos", disse Trump, em um discurso solene e por alguns momentos confuso no Salão Oval da Casa Branca. "Para evitar que entrem novos casos no nosso país, suspenderei todas as viagens da Europa aos Estados Unidos durante os próximos 30 dias", completou, antes de lamentar que a União Europeia "não tenha adotado as mesmas precauções".
A medida não será aplicada aos voos procedentes do Reino Unido, mas sim a todas as pessoas que estiveram durante os 14 dias prévios à chegada aos EUA em qualquer outro país, exceto para americanos e residentes permanentes. Em um fato sem precedentes, o Departamento de Estado recomendou aos americanos que evitem qualquer viagem ao exterior.
A União Europeia (UE) demonstrou irritação com a decisão de Trump. "A UE desaprova o fato de que (...) a proibição de viajar tenha sido adotada unilateralmente e sem consulta", diz uma declaração da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e de seu colega do Conselho Europeu, Charles Michel.
As autoridades europeias indicaram que a UE "está adotando medidas enérgicas para limitar a propagação do vírus" e "uma crise mundial não limitada a nenhum continente que requer cooperação ao invés de uma ação unilateral".
'VÍRUS ESTRANGEIRO'
Durante seu discurso de 10 minutos, Trump definiu o Covid-19 como um "vírus estrangeiro". Há alguns dias, o chefe da diplomacia americana, Mike Pompeo, foi criticado ao citar o "vírus de Wuhan", cidade chinesa em que a epidemia foi detectada no fim de dezembro.
Nesta quinta-feira, o número de pessoas infectadas com COVID-19 no mundo alcançou 125.293, com 4.600 vítimas fatais, em 115 países e territórios, de acordo com um balanço da AFP (Agência France Press) com base em fontes oficiais.
Apesar da magnitude, a pandemia "é controlável", afirmou nesta quinta-feira o diretor geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus. "Mas precisamos de maior vigilância para identificar, isolar, diagnosticar e tratar cada caso e romper a cadeia de transmissão", completou, antes de reconhecer sua preocupação porque "alguns países não estão enfrentando a ameaça com o compromisso político necessário".
ISOLADOS
Na Itália, os 60 milhões de habitantes permanecem isolados do mundo. Na quarta-feira, o governo decretou o fechamento de todos os estabelecimentos comerciais, exceto supermercados e farmácias. O país registrou 12.000 casos e 827 mortes.
Roma virou uma cidade fantasma, silenciosa, um contraste com suas ruas habitualmente barulhentas e lotadas de turistas. Todas as igrejas da diocese de Roma permanecerão fechadas até 3 de abril, com o objetivo de ajudar a interromper a pandemia do Covid-19, anunciou quinta-feira o cardeal italiano Angelo De Donatis, bispo vigário de Roma.
Na Espanha, a situação é cada vez mais grave, com 3.000 casos e 84 vítimas fatais. Áreas de Madri geralmente repletas de turistas estavam vazias nesta quinta-feira. Escolas e universidades da capital espanhola estão fechadas, enquanto os supermercados viraram cenário de cenas caóticas.
A ministra da Igualdade, Irene Montero, deu resultado positivo para o exame de coronavírus e todos os membros do governo espanhol serão submetidos a testes.
Na França, onde o número de infectados supera 2.200, com 48 mortos.
A boa notícia do dia veio da China, que registrou 15 contágios nesta quinta-feira, o menor número em 24 horas desde janeiro.


