Trump e Zelensky planejam encontro na Flórida sobre cessar-fogo
Reunião prevista para domingo deve tratar de plano de paz, concessões territoriais e temas de segurança, como Donbass e a usina de Zaporizhzhia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de dezembro de 2025
Reunião prevista para domingo deve tratar de plano de paz, concessões territoriais e temas de segurança, como Donbass e a usina de Zaporizhzhia
France Presse 

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, tem planejado se reunir no próximo domingo na Flórida com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para dialogar sobre um cessar-fogo com a Rússia, informou Kiev nesta sexta-feira (26).
Trump está intensificando seus esforços, que já duram meses, para negociar um acordo entre as partes no pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
Dezenas de milhares de pessoas morreram, milhões foram obrigadas a fugir de casa e grande parte do leste e do sul da Ucrânia foram destruídas desde que a Rússia invadiu o país, em fevereiro de 2022.
O plano mais recente é uma proposta de 20 pontos que congelaria a linha de frente, mas abriria uma porta para a Ucrânia retirar suas tropas do leste, onde serão criadas zonas-tampão desmilitarizadas, explicou Zelensky, que revelou detalhes do documento no começo desta semana.
Esta é a declaração mais clara do líder ucraniano, que permitiu a possibilidade de concessões territoriais, como parte de um plano mais aceitável para Kiev que a proposta inicial de 28 pontos, apresentada pelos Estados Unidos no mês passado, que se ajustava a muitas das principais critérios da Rússia.
Moscou criticou, nesta sexta, esta versão do plano e acusou Kiev de querer “torpedear” as negociações.
“Durante o fim da semana, acredito que no domingo, na Flórida, teremos uma reunião com o presidente Trump”, disse Zelensky em uma mensagem a jornalistas nesta sexta-feira.
Posteriormente, seu gabinete esclareceu que a reunião foi “planejada” para o domingo.
Território e usina nuclear
Parte do plano inclui uma série de acordos bilaterais separados entre os Estados Unidos e a Ucrânia sobre garantias de segurança, segurança e economia.
“Discutiremos estes documentos, como garantias de segurança”, afirmou.
“Quanto aos temas sensíveis, discutiremos o Donbass e a usina nuclear de Zaporizhzhia, e sem dúvida vamos abordar outros assuntos”, acrescentou.
O novo texto é “radicalmente diferente” do que Moscou havia negociado com os Estados Unidos, declarou, nesta sexta, o vice-ministro das Relações Exteriores Russo, Serguei Riabkov.
“Sem uma resolução adequada dos problemas que estão na origem desta crise, será simplesmente impossível chegar a um acordo definitivo”, afirmou Riabkov, que acusou Kiev de redobrar “seus esforços para torpedeá-lo”.
Zelensky disse esta semana que ainda há desavenças entre Kiev e Washington sobre estas duas questões-chave.
Washington pressionou a Ucrânia para que retirasse 20% da região leste de Donetsk que ainda controla, principal exigência territorial da Rússia.
O governo americano também propôs um controle conjunto americano-ucraniano-russo da central de Zaporizhzhia, a maior usina nuclear da Europa, que a Rússia tomou durante uma invasão.
Zelensky afirmou que só poderia ceder território se o povo ucraniano aprovasse mediante um referendo e rejeitasse a participação russa na gestão da usina nuclear.
A Ucrânia parece ter obtido algumas concessões no último plano que, segundo Zelensky, eliminou a exigência de Kiev renunciar legalmente à sua aspiração de entrar na Otan, bem como as cláusulas anteriores que reconheciam como restrições os territórios ocupados por Moscou desde 2014.
O Kremlin disse, nesta sexta-feira, que o assessor de política externa, Yuri Ushakov, conversou por telefone com funcionários americanos para falar sobre as negociações, embora não tenha dado mais detalhes, nem informado sua posição sobre a nova proposta.
Até agora, Moscou demonstrou pouca disposição em abandonar suas doutrinas, que incluem que a Ucrânia se retire completamente da região oriental do Donbass e coloque fim aos esforços para aderir à Otan.
A Rússia também exige a ordenação da mobilização de tropas de paz ocidentais na Ucrânia e diversas restrições políticas e militares que Kiev considera equivalentes a uma capitulação.
Zelensky assinou que os negociadores ucranianos não mantêm contato direto com Moscou, e que os Estados Unidos atuam como intermediários e esperam uma resposta russa à última proposta.
“Acredito que conheceremos sua resposta oficial nos próximos dias”, afirmou Zelensky. No entanto, expressou ceticismo sobre se Moscou realmente deseja dissuadir uma invasão. “A Rússia sempre está procurando razões para não chegar a um acordo”, concluiu.


