Trump e Kim assinam acordo histórico de desnuclearização
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terça-feira, 12 de junho de 2018
Estelita Hass Carazzai<br>Folhapress 

Washington - Em condições ainda vagas e com compromissos que ficaram de fora do papel, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, assinaram nesta terça-feira (12) em Singapura um acordo que prevê a desnuclearização da península Coreana, no qual os dois países se comprometem à "paz e prosperidade" na região.
Em troca do compromisso de desnuclearização, os EUA se comprometeram a interromper os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul na península, que desagradaram o norte-coreano durante as negociações para a cúpula desta terça e quase ruíram o encontro. As tropas americanas, porém, vão continuar em solo sul-coreano.
O documento marca uma aproximação histórica, mas repete o compromisso de dar fim às armas nucleares feito pelo norte-coreano no final de abril, em uma reunião com a Coreia do Sul, e não estabelece, por ora, passos concretos rumo à desnuclearização.
Um dos principais itens do combinado entre Kim e Trump, a destruição de um local de testes de mísseis nucleares, foi obtido após a assinatura final, segundo o americano - e ficou de fora do documento divulgado pelos dois países.
As sanções econômicas contra a Coreia do Norte permanecem inalteradas, até que sejam tomados passos concretos rumo à desnuclearização, de acordo com o americano. E o esperado término oficial da Guerra da Coreia (1950-53), que divide a Península Coreana há quase 70 anos, não foi anunciado desta vez.
Antes de assinar e divulgar o documento, os dois líderes almoçaram juntos e tiveram um encontro tête-à-tête de quase 40 minutos. Para Trump, a reunião foi "melhor do que todos poderiam esperar". Já o líder norte-coreano, que horas antes se referira ao encontro como algo que parecia "um filme de ficção científica", afirmou que "o mundo verá uma grande mudança".
É a primeira vez que um mandatário dos EUA se reúne com um líder da Coreia do Norte. Em 2009, Bill Clinton, então já fora da Casa Branca, encontrou-se com Kim Jong-il (pai de Jong-un), à época nº 1 do regime. Quinze anos antes, em 1994, Jimmy Carter, também já longe da presidência americana, reunira-se com Kim Il-sung, avô do atual líder.
Trump afirmou que o momento era "histórico" e que inaugura "um novo capítulo na história nas nações", mas reconheceu que é o início de um processo e disse que "não há como garantir tudo".
"Eu apenas sinto, muito fortemente, que eles querem fazer um acordo", declarou o presidente, durante uma longa entrevista à imprensa em Singapura. "É isso que eu faço. Minha vida toda foi de negociação. Isso é o meu negócio."


