Trump diz querer acordo 'substancial' com Reino Unido
Presidente dos EUA e May se reuniram no segundo dia da visita de Estado do americano à Grã-Bretanha
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quarta-feira, 05 de junho de 2019
Presidente dos EUA e May se reuniram no segundo dia da visita de Estado do americano à Grã-Bretanha
Folhapress 
São Paulo - Donald Trump disse à primeira-ministra britânica Theresa May nesta terça (4) que os Estados Unidos fariam um acordo "substancial" e "justo" com o Reino Unido depois do Brexit. "Acho que teremos um acordo comercial muito substancial, será um acordo muito justo, e acho que é algo que ambos queremos fazer", disse Trump a May e líderes empresariais britânicos e americanos, durante reunião entre as partes.

O presidente dos EUA e May se reuniram no segundo dia da visita de Estado de Trump à Grã-Bretanha. "Nós [os EUA] somos o seu maior parceiro. Acho que há uma grande oportunidade para ampliar isso, especialmente agora", prosseguiu Trump. Louvando a "grande aliança" entre os dois países, May respondeu que "podemos fazê-la ainda maior" graças a um acordo bilateral "com uma cooperação econômica mais ampla, e continuando com nosso trabalho conjunto para moldar e influenciar a economia global e suas regras e instituições."
May deve renunciar na próxima sexta-feira (7), mas permanecerá no cargo enquanto um novo líder é escolhido para substituí-la. O favorito é o ex-prefeito de Londres Boris Johnson. O dia não foi marcado apenas pela troca mensagens de intenção positivas. Manifestantes convocados por organizações de defesa dos direitos humanos e da luta contra a mudança climática foram para a frente do Parlamento britânico segurando cartazes de protesto contra Trump. Em um deles, se lia: "descartem Trump". Os manifestantes também carregavam balões de gás que mostram o presidente americano em tom alaranjado, e havia ainda um balão gigante inflado em frente ao Parlamento.
As manifestações contra Trump vieram também de políticos do alto escalão britânico. O prefeito de Londres, Sadiq Khan, disse nesta terça em uma entrevista para o canal de TV Sky News que o americano é um "garoto propaganda para a extrema-direita no mundo todo", citando suas políticas migratórias para muçulmanos e os centros de imigração americanos. Khan e Trump vêm trocando farpas desde antes da chegada do americano. O britânico reclamou da visita, ao que Trump respondeu que ele estava "fazendo um péssimo trabalho como prefeito" e sendo "rude" com o visitante.
Os dois líderes também concederam uma entrevista para a imprensa nesta terça, em 10 Downing Street, a residência dos primeiros-ministros britânicos. Theresa May afirmou que tanto o Reino Unido quanto os Estados Unidos têm os mesmos objetivos em relação ao Irã. Para Trump, os dois países estão determinados a se certificar de que a nação do Oriente Médio não desenvolva armas nucleares - tais armamentos são uma ameaça, segundo o republicano.
Com relação ao Brexit, Trump disse acreditar que o processo "vai acontecer e deveria acontecer", e May falou que é interesse do Reino Unido se desligar da União Europeia com um acordo. As transações comerciais entre as duas partes pós-saída do Reino Unido da União Europeia voltaram à pauta. Os Estados Unidos estão comprometidos com um acordo de comércio "fenomenal" com a monarquia, segundo Trump. Já May afirmou que os dois países terão um "ambicioso" acordo de livre comércio.
O republicano afirmou que May merece crédito a respeito da condução das negociações do Brexit. Também salientou gostar de Boris Johnson e acreditar que ele faria um bom trabalho no lugar de Theresa May, assim como Jeremy Hunt, atual ministro das Relações Exteriores.
Trump disse que recusou uma reunião pedida pelo líder do Partido Trabalhista (oposição), Jeremy Corbin. Corbin pretendia tratar de questões climáticas, ameaças à paz e refugiados, segundo comunicado divulgado pelo partido. Em relação à crise imigratória EUA-México, Trump falou que México deveria impedir que milhões de pessoas entrem ilegalmente nos Estados Unidos - e que, caso não o faça, os EUA seguirão aumentando as tarifas impostas sobre produtos oriundos do país latino. Também afirmou que não quer acreditar que o México é dominado por carteis de drogas.


